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Rafael Zattar: “Investir possibilita que você se torne dono do seu tempo, faça o que você quiser. Construir isso, porém, leva tempo.”

O De Olho em Wall Street desta semana é com Rafael Zattar, fundador do canal Carteira Z. Não perca!

Investidor aos 13 anos? No caso de Rafael Zattar, pode-se dizer que sim. Afinal, desde essa idade ele já trabalhava para obter seu dinheiro e otimizar seus rendimentos. Ele poupava o que conseguia com o bico de entregador de jornal e sempre pensava alguma estratégia para fazer esse dinheiro render.

 

Pouco tempo depois, com 19 anos, partiu de fato para o mercado financeiro e começou a investir. Ao perceber a liberdade que os investimentos poderiam lhe garantir, entrou de cabeça no setor.

 

Hoje, Zattar é dono do canal Carteira Z, assessoria de investimentos, e sócio da Dica de Hoje Reserch, que tem como missão aumentar ainda mais o número de investidores no Brasil. Confira nossa conversa exclusiva com esse expert.

 

Como começou a investir?

 

Eu comecei a poupar aos 13 anos, quando era entregador de jornais em um bairro da zona norte do Rio de Janeiro. Ganhava R$ 10 por semana. Meu primeiro “investimento” foi em uma bicicleta usada, porque ela me permitiria entregar mais jornais, na menor quantidade de tempo, e assim eu ganharia mais gorjetas. Eu otimizava ainda mais pegando os jornais que não eram vendidos – e seriam jogados fora – e vendendo-os no ferro-velho no dia seguinte.

 

No caminho, eu passava em uma gráfica e pedia os papéis que eles jogariam fora para juntar com os que eu já tinha e, assim, ganhar ainda mais.

 

Meu primeiro contato com o mercado financeiro foi aos 19 anos, como estagiário de finanças do Banco do Brasil. Mais tarde, passei em um concurso federal muito concorrido, assumi a vaga e fiquei por 15 anos até largar a estabilidade e me dedicar ao mercado financeiro. Aprendi sobre o tema com livros, cursos e vídeos na internet e comecei a investir, ainda que de forma conservadora, em renda fixa e somente no Brasil.

 

Qual caminho indica para quem quer começar a investir?

 

Investir possibilita que você potencialize o que você gera no seu trabalho. Permite que você vislumbre se tornar dono do seu tempo, fazendo o que você quiser, na hora que quiser, com pessoas que você gosta. É preciso saber, porém, que construir isso leva tempo, e você precisa subir um degrau de cada vez.

 

Focar em um objetivo, na sua liberdade, é o que todos deveriam fazer. Esse é o caminho. Ouse chegar no final da estrada, mas foque até onde o seu farol consegue alcançar. A rotina é o segredo.

 

Investir fora do Brasil é possível para quem não tem muita experiência de mercado?

 

Hoje em dia, há uma grande facilidade em investir no exterior. Não é necessário experiência, tampouco burocracias. Investir em países desenvolvidos e em empresas com tecnologia de ponta é o que todo investidor deveria fazer.

 

Quais as principais oportunidades para investir fora do país? O que perdemos quando ficamos restritos ao mercado brasileiro?

 

Mais de 98% do market global está no exterior. Apenas 2% aqui no Brasil. As melhores empresas estão lá fora. A maior parte do dinheiro gasto com pesquisa e desenvolvimento no mundo é lá fora. Então, na minha visão, ficar restrito ao Brasil é perigoso.

 

Como avalia as diferenças do mercado americano e do mercado brasileiro?

 

O Brasil é como se fosse um Small Cap a nível mundial. Ele pode dar muito certo, mas tem seus riscos, que não são poucos. No mercado americano estão as melhores empresas do mundo e companhias que desenvolvem tecnologia de ponta. Por exemplo: milhões de pessoas estão utilizando produtos da Apple neste exato minuto, nos Estados Unidos e no restante do mundo. O nível de capilaridade das empresas americanas é absurdo.

 

As empresas do mercado americano investem 30% de todo o dinheiro gasto no mundo em pesquisa e desenvolvimento, e 60% dos melhores pesquisadores do mundo trabalham, estudam ou moram nos Estados Unidos.

 

Em qual setor você está mais atento hoje no mercado americano? Alguma dica especial?

 

Sempre pego alguns insights com o Raphael Rocha, analista de ações internacionais da nossa research Dica de Hoje. Acreditamos que hoje há oportunidades em empresas de tecnologia mais maduras, ou seja, as big techs. Algumas delas estão sendo negociadas a múltiplos baixos, dado o crescimento que ainda está por vir.

 

Além disso, parecem interessantes commodities de empresas mais cíclicas. Damos preferência a companhias que possuem uma dependência maior dos Estados Unidos, que deve ter um crescimento forte em 2022, mesmo com o aumento de juros.

 

Você está de olho em alguma fusão de empresas?

 

Em relação a M&A (mergers & acquisitions), eu olharia para o mercado de games, que é pulverizado e não tem um player muito dominante. Já temos visto algumas aquisições, como a da Activision-Blizzard pela Microsoft, além da Sony estar comprando alguns estúdios menores.

 

Tem muita coisa para acontecer nesse setor, que tem crescido bem e creio que ainda vai se movimentar mais.

 

O dólar vai manter a trajetória de alta ou você vê essa tendência se arrefecendo?

 

Eu prefiro manter a humildade e não tentar adivinhar para onde ele vai. Eu estabeleço um percentual para ativos dolarizados na minha carteira e sigo esse percentual. Se o dólar cair, eu completo, se ele sobe, eu aloco em outros ativos. É uma metodologia simples, sem a pretensão de acertar o momento correto de compra, mas que acaba fazendo com que eu compre sempre em circunstâncias interessantes.

 

Fazendo isso, dá para ir para a Disney de vez em quando.

 

 

*Esse conteúdo é apenas para informação e não deve ser entendido como uma oferta ou recomendação de investimentos. Performance passada não garante resultados futuros. As opiniões expressadas nesse artigo são do entrevistado e não representam necessariamente a opinião da Stake.


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