Share

Floriano Siqueira: “O investimento no exterior parece ser mais arrojado por ser distante do dia a dia do brasileiro, mas você está se expondo ao dólar e a empresas globais, então acaba se tornando menos arriscado.”

O De Olho em Wall Street desta semana é com Floriano Siqueira, investidor e criador de conteúdo sobre finanças e economia. Não perca!

Quando você era criança, qual era seu sonho? O de Floriano Siqueira era ficar rico. Foi isso que o levou, mais tarde, a cursar Engenharia, profissão que, segundo seus pais, “era do futuro”. E foi na faculdade, porém, que ele percebeu que não era bem assim como seus pais haviam pensado.

 

Durante o curso, Floriano constatou que, para ser rico, a melhor maneira seria se tornar investidor ou empreendedor. Ele escolheu a primeira opção, e começou a estudar sobre o assunto. Após anos investido, resolveu compartilhar com o mundo seus conhecimentos no Instagram e no Youtube, onde posta conteúdos diários sobre investimentos.

 

Confira mais da trajetória do investidor na entrevista exclusiva a seguir:

 

Como começou a investir? Aprendeu isso com alguém?

 

Quando eu era criança, sonhava em, um dia, ser rico. Desde cedo sempre me interessei muito por buscar formas de ganhar dinheiro. Entrei na faculdade de Engenharia porque achei que esse seria o melhor caminho, ao ouvir meus pais e parentes dizendo ser a profissão do futuro.

 

Descobri, porém, que poucos engenheiros formados conseguiam realmente trabalhar no mercado de trabalho como engenheiros. A maior parte dos estudantes saíam como analistas e dificilmente se tornavam pessoas ricas.

 

Fui buscar referências de quem era de fato milionário e descobri que só existem dois tipos de pessoas entre os dez mais ricos do mundo: investidores e empreendedores. Diante disso, resolvi aprender mais sobre esses dois mundos. Comecei a estudar pela internet, a me aprofundar sobre investimentos. Não tinha nenhuma referência próxima, meus pais não investem e eu não conhecia nenhum investidor de renda variável. Os meus maiores professores foram a internet e os livros.

 

Qual caminho indica para quem quer começar a investir?

 

Eu tentaria entender como funciona o mundo dos investimentos buscando informações na internet, de forma gratuita, fazendo das suas dúvidas, perguntas para o Google, por exemplo. Hoje tem muito conteúdo gratuito e de qualidade, mas também existem muitos conteúdos ruins, então suas pesquisas devem considerar sempre mais de uma fonte.

 

Começaria pesquisando sobre quais são os tipos de investimentos que existem, depois pegaria um valor que não afetasse minhas finanças (pode ser R$ 50, R$ 100, R$ 500 ou R$ 1000 reais) e começaria a experimentar. Se pudesse investir R$ 50, destinaria esse dinheiro para apenas um dos investimentos estudados. Se pudesse investir acima de R$ 500 reais, destinaria mais de um tipo de investimento.

 

Esse acredito que seja o melhor caminho, pois a prática é a melhor forma de aprender. Por isso o valor não pode influenciar sua vida financeira, já que, em caso de você cometer algum erro, o que é normal para o investidor iniciante, esse equívoco não irá te comprometer financeiramente. Após aprender o básico, você vai começar a entender quais são as suas reais necessidades e buscar se aprofundar em cada uma delas.

 

Você investe no exterior? Pensa que investir fora do Brasil também é possível para quem não tem muita experiência de mercado?

 

Invisto no exterior e considero totalmente tangível para quem ainda não tem muita experiência no mercado, ainda mais com a tamanha facilidade que existe de investir em empresas listadas em bolsas estrangeiras através da Stake.

 

Minha orientação é que a pessoa comece com pouco e depois vá amadurecendo gradativamente o valor dos aportes. O investimento no exterior parece ser mais arriscado por ser distante do dia a dia do brasileiro, mas na realidade você está se expondo ao dólar e também a empresas globais, então acaba se tornando menos arriscado que no Brasil.

 

Quais as principais oportunidades de investimento no exterior? O que perdemos quando ficamos restritos ao mercado brasileiro?

 

Acredito que o mercado exterior é muito mais maduro, com mais empresas, mais setores, mais investidores e mais segmentos diferentes para você poder investir. Isso já é uma grande vantagem, porém não para por aí.

 

Pessoas com parte do capital investido no exterior têm a proteção de moedas mais fortes, diversificação de ativos de forma geográfica, o que traz uma proteção melhor do capital a riscos locais e segurança ao seu patrimônio. Ao investir apenas no Brasil você fica restrito, não pode investir nas maiores empresas do mundo e fica limitado a alguns setores que não estão presentes na bolsa brasileira.

 

Como avalia as diferenças do mercado americano e do mercado brasileiro?

 

Se os mercados fossem figuras humanas, o mercado brasileiro seria como uma criança de 10 anos, e o mercado americano como um adulto de 60 anos, muito mais maduro, com menos oscilação e com muito mais estabilidade em relação à regulação.

 

O mercado brasileiro sofre com mudanças de regras, reforma tributária e com muito mais variáveis associadas ao alto grau de relevância que afetam o desempenho da bolsa. Por exemplo: quando algo acontece no governo americano, a bolsa de Nova York cai entre 2% e 3%, no máximo. No Brasil, se algo acontece, a bolsa pode cair de 8% a 10%, logo, o nível de risco associado a investir no Brasil se torna muito maior que nos Estados Unidos.

 

Em que está atento no mercado americano? Algum setor específico?

 

Estou investindo em empresas chinesas, especificamente na Alibaba, que está listada na bolsa americana. Por ser um varejo muito forte, vejo uma grande oportunidade dado o cenário atual, que vem fazendo a empresa perder valor de mercado por conta de um receio de retaliação quanto à regulação americana sobre empresas chinesas ou até mesmo de algum controle do governo chinês sobre elas. Para mim, esse receio é passageiro e, no fim, não deve afetar as operações da empresa.

 

Também estou investindo na Prosus, um grupo de investimento global e a maior empresa de internet de consumo da Europa. Ela está entre os maiores investidores de tecnologia do mundo, exposta a empresas de tecnologias chinesas como a Tencent, dona de várias marcas como o Tinder. Ao alocar capital na Prosus, você investe em diversas empresas de tecnologia  como a Tencent, com um desconto de cerca de 30% em relação ao seu valor no mercado aberto.

 

O mercado enxerga essas empresas com certo risco, por isso acredito que estão descontadas. Pelo que venho estudando, considero estas companhias excelentes oportunidades, pois são empresas já consolidadas no mercado.

 

Quais fatores externos que podem afetar o mercado e precisamos ficar atentos neste ano?

 

Acredito que a taxa de juros americana é um fator muito importante para se ficar atento, assim como a inflação nos EUA. Caso continue alta como ocorreu no ano passado, pode fazer com que o dólar perca força mundialmente, podendo afetar algumas empresas.

 

A relação entre China e Estados Unidos também pode gerar uma influência mais forte no mercado caso haja restrições americanas às empresas chinesas, o que poderia beneficiar algumas companhias no mercado, como a Amazon, que vem disputando espaço com as empresas de tecnologia da China.

 

 

 

 

 

 

*Esse conteúdo é apenas para informação e não deve ser entendido como uma oferta ou recomendação de investimentos. Performance passada não garante resultados futuros. As opiniões expressadas nesse artigo são do entrevistado e não representam necessariamente a opinião da Stake.


Não tem o app da Stake?

Saia na frente! Ganhe uma ação da Nike, Dropbox, GoPro ou uma ação surpresa se você fizer um depósito mínimo de R$500 nas primeiras 24h após a abertura da conta.


Relacionados