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The Wrap: Petróleo ESG

Se o petróleo pode ser ESG ainda não sabemos, mas algumas empresas estão tentando. Descubra mais no The Wrap desta semana!

Petróleo ESG

Que as discussões a respeito da pauta ESG avançaram nos últimos anos no Brasil e no mundo, já é fato conhecido. Afinal, atuar com responsabilidade ambiental, ter uma governança corporativa guiada para evitar problemas éticos e levar em conta aspectos sociais como inclusão e diversidade passaram a ser primordiais.

 

No entanto, vale ressaltar que esse movimento inclui companhias dos mais variados setores, como as petrolíferas – o que até há pouco tempo seria difícil de imaginar. Por isso, uma notícia na última semana chamou a atenção do mercado. 

 

Os acionistas da ExxonMobil, multinacional americana com operações em petróleo e gás, apoiaram uma medida para acelerar a mudança de combustíveis fósseis para energias renováveis, de acordo com o diário britânico Financial Times.

 

A empresa terá que publicar um relatório auditado no modelo da Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês), que trata da economia de carbono zero até 2050. 

 

No documento, seus executivos deverão apontar custos, estimativas e valores de mercado das ações adotadas. Isso indica no mínimo uma disposição para ir além do discurso, evitando um novo caso de ‘greenwashing’.

 

Pauta climática ganha importância

 

O movimento da Exxon marca uma vitória para ativistas do clima um ano após o fundo de hedge Engine No 1, conhecido por sua atuação em sustentabilidade, conseguir o direito de indicar três assentos no board da companhia. 

 

Dessa vez, porém, a moção recebeu o apoio de nomes de peso da indústria, como os fundos T Rowe Price, NY State Common Retirement Fund e California Public Employees Retirement System.

 

Aliás, uma resposta à pauta ambiental já estava no pipeline da companhia. No início do ano a Exxon afirmou que até 2050 suas operações de óleo e gás seriam livres da emissão de CO2. Agora a tendência é que ofereça mais detalhes sobre os próximos passos.

 

Por falar nas petrolíferas, a atenção para a quantidade de dióxido de carbono é alvo de preocupação há alguns anos. O Climate Accountability Institute, dos Estados Unidos, publicou um estudo em que mostra que as 20 maiores companhias produtoras de petróleo, gás natural e carvão emitiram 480,16 bilhões de toneladas de CO2 entre 1965 e 2019, o que representa mais de um terço das emissões no mundo.

 

Movimento atrai empresas

 

Não é só a Exxon que está olhando mais de perto para o meio ambiente. Em fevereiro, outra empresa de petróleo americana, a Chevron, liderou um investimento de US$ 150 milhões para acelerar os projetos da Carbon Clean, startup especializada no sistema de captura de carbono.

 

E a Chevron tem um programa ambicioso: seu objetivo é armazenar 25 milhões de toneladas de CO2 por ano até o fim da atual década. Para isso, vai focar no desenvolvimento de hubs regionais que possam aproveitar parcerias existentes e emergentes com consumidores, governos e indústrias.

 

As discussões sobre as responsabilidades das empresas vêm ganhando força. Em 2021, um tribunal holandês decidiu que a unidade da Shell no país deveria eliminar em 45% as emissões de CO2 até 2030 sobre os níveis de 2019. Atualmente, a meta da companhia de origem britânica é diminuir em 50% as emissões de gases de efeito estufa até 2030, na comparação com os níveis de 2016.

 

No mesmo sentido, os Estados Unidos anunciaram um plano para investir US$ 3,5 bilhões para projetos de captura e armazenamento de dióxido de carbono diretamente do ar e das fábricas – a mesma tecnologia utilizada por Exxon e Chevron para reduzir o impacto ambiental. O aporte faz parte do pacote de infraestrutura de US$ 1,2 trilhão do governo Joe Biden, que deseja conter em 50% as emissões de CO2 até 2030 sobre os níveis de 2005.

 

No Brasil, a Petrobras tem em seu plano estratégico a previsão de investir US$ 1 bilhão para desenvolver combustíveis mais sustentáveis, como diesel renovável e bioquerosene, além de financiar estudos em energias limpas.

 

 

*Esse conteúdo é apenas informativo e não deve ser entendido como uma oferta ou recomendação de investimentos.


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