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The Wrap: Falhando rápido

Após dois anos de desenvolvimento e 400 funcionários dedicados ao projeto, o CNN+ chega ao fim com menos de um mês no ar. No The Wrap desta semana, explicamos o que deu errado no serviço de streaming.

Falhando rápido

A plataforma de streaming CNN+ não chegou a completar um mês no ar nos Estados Unidos e já foi descontinuada. Entenda o que aconteceu no The Wrap desta semana.

 

O primeiro ato de Chris Licht como novo CEO global da CNN foi anunciar para mais de 400 funcionários que o produto que eles vinham desenvolvendo há dois anos seria descontinuado após menos de um mês no ar nos Estados Unidos.

 

O projeto, CNN+, seria um serviço de streaming do canal com programação exclusiva ao vivo e escrita e posicionaria a CNN como uma empresa de mídia multiplataforma, batendo de frente com gigantes do jornalismo digital, como o The New York Times e o Washington Post. Tudo começou a degringolar, porém, com a fusão entre WarnerMedia e Discovery

 

A Warner controla a CNN – que representa 10% dos rendimentos do grupo de mídia – e em maio de 2021 fechou um acordo de fusão com a Discovery para a criação de um grupo forte em audiovisual e também em conteúdos não roteirizados, como reality shows e programas jornalísticos. O acordo de US$ 43 bilhões elevou o status da, agora, Warner Bros Discovery, mas afetou diretamente os planos da CNN+

 

CNN+ no pacote

 

O plano inicial da CNN+ era que ela fosse lançada como uma plataforma própria, com sua própria base de assinantes e independência para criar conteúdos. Quem tinha essa visão era Jeff Zucker, chefe da CNN no início do projeto, mas que saiu do cargo este ano após denúncias de que ele estaria se relacionando com uma funcionária. A saída do executivo coincidiu com a chegada de David Zaslav ao cargo de CEO da Warner Bros Discovery.

 

Ele chegou ao posto por ter sido CEO da Discovery e responsável pela fusão entre os grupos de mídia. Uma de suas primeiras falas como CEO da nova empresa foi anunciar que a HBO Max (principal serviço de streaming da companhia), iria receber os conteúdos da Discovery+, que deixaria de funcionar como uma plataforma à parte.

 

A ideia de Zaslav era concentrar os conteúdos do grupo em um só lugar, dado que no atual mercado de streaming o número de assinantes é uma das principais métricas para aferir a presença digital de uma companhia. Sob essa ótica, não faria sentido a CNN+ atuar como uma plataforma separada, sendo que ela poderia estar presente como uma aba do HBO Max.

 

O problema foi que Zaslav estava chegando na empresa quando a CNN+ recebia os toques finais. Segundo a CNBC, o novo CEO já tinha outros planos para o streaming de notícias, mas não quis divulgar com medo de afetar a fusão.

 

Fim da linha

 

Apesar do CEO do grupo ter outros planos, seria difícil convencer a todos de não lançar o produto e retrabalhar para que ele entrasse no HBO Max. A solução foi usar uma projeção da CNN+ contra a plataforma.

 

No início do desenvolvimento do streaming, a projeção era que a CNN+ fechasse o primeiro ano de operação com 2 milhões de assinantes. O problema é que nas duas primeiras semanas de funcionamento o streaming teve 150 mil assinantes. O número não foi baixo, mas ficou longe das expectativas iniciais, o suficiente para que o novo conselho – composto por pessoas da Discovery, que estavam distantes do projeto – cortasse o projeto com menos de um mês de funcionamento.

 

É provável que a CNN+ tenha novos capítulos, mas como uma aba dentro do aplicativo da HBO Max. Quanto aos 400 funcionários da plataforma, alguns saíram, enquanto outros buscam novas posições dentro da companhia.

 

 

 

*Esse conteúdo é apenas informativo e não deve ser entendido como uma oferta ou recomendação de investimentos.


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