Spotlight: VTEX

5 horas de pesquisa, 5 minutos de leitura. Destaque para as ações de Wall Street. Conheça a VTEX:

Nome: VTEX

Ticker: VTEX

Fundada em: 2000, por Geraldo Thomaz e Mariano Gomide

Valor de mercado: US$3 bi

“Onde o comércio acontece”: esse é o lema da VTEX. Essa frase parece descrever os shopping centers ou os grandes centros comerciais das principais metrópoles do país, mas graças à pandemia da Covid-19, a realidade mudou e boa parte do comércio passou a acontecer dentro de nossas casas através do e-commerce e, se antes o slogan parecia um tanto quanto exagerado, hoje ele é realidade.

Apesar de estar muito presente na vida dos brasileiros, é possível que muitos deles não conheçam a VTEX. Ao pensar em gigantes do varejo no Brasil talvez surjam nomes como o Grupo Soma e a C&A no setor de moda, a Ambev no setor de bebidas, ou até em um setor mais amplo, como o de supermercados, com o grupo francês Carrefour sendo um dos principais players. Muito provavelmente o nome da VTEX não irá surgir em meio a esses nomes, e, no entanto, ela presta serviço para todos eles.

Se boa parte da população não conhece a VTEX, é porque ela não está à frente do varejo no país, mas sim na sua infraestrutura. A VTEX é uma empresa de Software as a Service (SaaS), que fornece soluções de tecnologia para desenvolver portais de e-commerce seguros, simples e práticos para companhias de varejo, que podem então focar no seu core business.

Fundada por Geraldo Thomaz e Mariano Gomide em 2000, no auge da “bolha das ponto com” (como ficou conhecida a crise que abalou as empresas de tecnologia), a VTEX tem um histórico de superação de crises econômicas, atuando em um setor altamente cíclico como o varejo. O segredo para isso estaria em parcerias com empresas grandes e sólidas, capazes de suportar choques de demanda.

Sobre os ombros de gigantes

Logo em seus primeiros anos de existência, a VTEX foi encarregada de desenvolver uma plataforma de e-commerce para nada mais nada menos do que o maior varejista do mundo, o Walmart, à época presente no Brasil. De lá para cá, a companhia expandiu sua clientela: hoje são mais de 2.500 lojistas que utilizam sua plataforma, em mais de 32 países e com nomes como Carrefour, McDonald’s, Adidas, Nestlé, Ambev, Sony, L’Oreal, C&A e muitos outros grandes varejistas.

A parceria com grandes empresas parece ter funcionado bem para a companhia: dos US$99 milhões de receita que a VTEX registrou em 2020, 80% veio dos seus maiores clientes. Clientes estes que por sua vez devem estar bastante satisfeitos com a plataforma, já que somente em 2020 mais de US$7,5 bi de faturamento passou pela VTEX. No primeiro trimestre de 2021, esse número foi superior a US$ 2 bi, crescimento de 113,8% em relação ao mesmo período no ano anterior. E a receita também subiu, somando US$25,9 milhões, contra US$16,6 milhões no primeiro trimestre de 2020.

É importante, porém, lembrar que se os grandes clientes são grandes geradores de receita, eles representam também um risco para a companhia, já que uma eventual não renovação de um contrato poderia ter grande impacto para a receita da empresa. Outra fonte de risco é a concentração local na América Latina e, sobretudo, no Brasil.

Risco ou oportunidade?

Atualmente mais de 90% da receita da companhia vem de clientes na América Latina, com o Brasil sendo responsável por cerca de 56% do valor total. Se o número parece elevado, a VTEX tem sido muito bem-sucedida na sua estratégia de diversificação geográfica, uma vez que em 2020 apenas o Brasil respondia por cerca de 72,8% da sua receita.

De acordo com seu departamento de inteligência de mercado, a companhia espera que o setor de e-commerce na América Latina se torne um mercado de mais de US$130 bi até 2024, um crescimento de cerca de 37% no período, contra um crescimento esperado de 28% para o resto do mundo.

Caso estas estimativas se mostrem corretas, por ser o maior player local, a VTEX pode surfar um dos maiores crescimentos do varejo mundial. No entanto, este crescimento pode atrair a atenção de alguns dos seus principais concorrentes, como a Shopify, a Magento (uma companhia Adobe), Salesforce e Oracle Commerce, companhias maiores e mais capitalizadas do que a brasileira. Além disso, as constantes instabilidades políticas e econômicas que marcam o continente podem ser responsáveis por impedir que este cenário de crescimento se concretize.

Sobre a oferta pública inicial

Com a realização de seu IPO (initial public offering, ou oferta pública inicial) estimando para o dia 22 de julho, a VTEX espera levantar entre US$300 milhões e US$500 milhões vendendo 19 milhões de ações série A, que devem ser precificadas entre US$15 e US$17, totalizando um valuation de cerca de US$3 bi para a companhia. Em seu quadro de investidores, a empresa conta hoje com a presença da gigante japonesa de tecnologia SoftBank, além das gestoras brasileiras Constellation e Gávea, gerida por Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central do Brasil.

*Esse conteúdo é apenas para informação e não deve ser entendido como uma oferta ou recomendação de investimentos. Performance passada não garante resultados futuros.

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