Share

Spotlight: Uber (UBER)

5 horas de pesquisa, 5 minutos de leitura. Destaque para as ações de Wall Street. Saiba mais sobre a Uber.

O sonho de todo empreendedor é atuar em um setor com grandes barreiras de entrada: as dificuldades enfrentadas por aspirantes a concorrentes para entrar no setor faz com que as margens de lucro sejam elevadíssimas e a perda de market share seja um evento praticamente impossível de acontecer.

 

Os mais novos talvez não se lembrem, mas até dez anos atrás, a indústria de táxis operava dessa maneira. Através de uma barreira de entrada artificial, que eram as licenças emitidas pelas prefeituras que autorizavam motoristas a pegarem passageiros e cobrarem pelas corridas, o mercado de táxis era artificialmente limitado. A limitação criava algumas situações absurdas: em 2013, uma licença para dirigir um táxi em Paris chegava a custar 250 mil euros. Isso mesmo, com 250 mil euros em mãos o cidadão parisiense poderia escolher entre viver uma aposentadoria pacata em Porto Seguro ou dirigir um táxi na cidade luz até o fim dos seus dias.

 

O grande problema de barreiras de entrada criadas artificialmente é que eventualmente surge uma empresa ou alguém para mostrar a todos que, na verdade, o rei está nu. No caso da indústria de táxis, coube à Uber fazer esse serviço e revolucionar o mercado de mobilidade urbana em mais de 900 de municípios ao redor do mundo.

 

Rompendo barreiras

 

O que é necessário para carregar passageiros de um lugar para outro? Se você sabe dirigir, tem carteira de motorista e um carro à disposição, nada impede que você busque um amigo em sua casa e depois o leve até o aeroporto, ou a qualquer outro destino. Por que então você deveria precisar de uma licença especial para fazer esse tipo de serviço de maneira remunerada? Foi exatamente essa a ideia da Uber, que via milhões de motoristas habilitados no mundo todo como mão de obra ociosa que poderia estar dirigindo profissionalmente, mesmo que em part-time.

 

Em 2010 a companhia começou a operar na região da baía de San Francisco, oferecendo seu serviço Uber Black, com sedans de luxo que cobravam cerca de 50% a mais do que uma corrida de táxi comum (posteriormente adicionando veículos comuns com corridas mais baratas). Seu grande diferencial era o funcionamento on-demand através de um aplicativo de celular, frotas de veículos melhores do que a dos táxis da cidade, além de um sistema de avaliação de usuários e motoristas, que por sua vez não tinham vínculos trabalhistas com a empresa, apenas repassando um percentual dos valores das corridas para a companhia. Porém esse modelo de negócios enfrentaria uma série de obstáculos para se estabelecer.

 

Acima de quem?

 

Operando em zonas cinzentas de regulação, a Uber teve de encarar pressões de diversos grupos de interesse onde quer que desejasse realizar suas operações. Cooperativas de táxi protestavam o fato de motoristas da companhia realizarem transporte de passageiros remunerado sem terem o devido licenciamento, prefeituras alegavam que a falta de licenças tornava o transporte menos seguro e inviabilizava a cobrança de tributos, ao passo que entidades sindicais reivindicavam a comprovação de elos trabalhistas entre os motoristas e a companhia.

 

O fundador do PayPal e venture capitalist Peter Thiel acredita que o nome das empresas está intrinsecamente ligado ao seu sucesso. PayPal é um nome amigável, porém Uber parece arrogante: “Você está acima de quem?”, indaga o executivo, sinalizando que a postura da companhia, presente até mesmo em seu nome, pode ter sido responsável pela série de perseguições que a empresa sofria à época.

 

Porém no fim das contas, após uma série de embates jurídicos, a Uber realmente saiu por cima. Graças ao apoio que a companhia conquistou entre a sociedade civil com as corridas mais baratas e seguras (já que os motoristas são avaliados e identificados e o trajeto do veículo pode ser compartilhado em tempo real), eventualmente as proibições de atuação da companhia foram suspensas. Em relação às ações trabalhistas, o depoimento de centenas de motoristas corroborando a ideia de que preferem ser vistos como autônomos derrubou boa parte dos processos, ainda que de tempos em tempos novos processos trabalhistas contra a companhia surjam.

 

Táxis high-tech

 

A Uber foi pioneira no serviço de mobilidade urbana automotiva, mas uma vez que o modelo de negócios estava validado, não demorou muito para que novos competidores como a Lyft e o Cabify surgissem. Para conseguir assegurar a sua liderança sobre a concorrência, a Uber teve de investir pesadamente em tecnologia.

 

Com uma grande equipe de engenheiros e cientistas de dados, a Uber está constantemente preocupada em melhorar seus algoritmos de precificação, já que a companhia opera com tarifas dinâmicas: quando há maior demanda de passageiros e menos ofertas de motoristas, os preços sobem significativamente, buscando atingir um equilíbrio. Além disso, é importante focar na melhoria constante dos algoritmos que selecionam passageiros e motoristas, de modo a reduzir tempo de espera e ganhar eficiência, além de fidelizar clientes e prestadores de serviços.

 

Se o aprimoramento constante do uso de dados é fundamental para o crescimento da Uber, essa não foi nem de longe o maior investimento em tecnologia da companhia. Buscando reduzir gastos, a companhia se virou para seu maior custo: seus motoristas. Entre 2015 e 2021 a companhia gastou bilhões de dólares para desenvolver carros autônomos que permitissem reduzir o seu custo operacional e permitir que os recursos utilizados para remuneração de seus motoristas fossem usados para a expansão de suas operações e ações de marketing, visando ganhar market share.

 

Porém mais do que impasses tecnológicos, o projeto de carros autônomos da Uber encontrou impasses jurídicos e ético-morais. Se um carro autônomo bate ou atropela alguém, quem deve ser o responsável jurídico: o fabricante ou o condutor, que deveria estar supervisionando o funcionamento do veículo? Ou pior ainda, caso um atropelamento seja inevitável e haja múltiplas pessoas na rota de colisão do carro, quem o veículo deve escolher para se tornar a vítima de um terrível acidente? Questões como essas fizeram com que a Uber decidisse abandonar seu projeto de carros autônomos e focar na viabilização de seu modelo de negócios utilizando os bons e velhos chauffeurs humanos.

 

Saldo da corrida

 

Atualmente a Uber conta com mais de 109 milhões de usuários mensais no mundo todo, com receita de US$4,8 bilhões apenas no terceiro trimestre de 2021, número que vem crescendo desde janeiro deste ano. Mais importante do que o crescimento da receita, porém, é o crescimento do EBITDA. Pela primeira vez desde a sua criação, a companhia registrou um EBITDA positivo em um trimestre. Apesar de a cifra de US$8 milhões não impressionar, é importante ressaltar que esse é um grande passo para a companhia rumo à tão sonhada lucratividade.

 

Os maiores ganhos foram vistos no setor de deliveries. Tradicionalmente um dos mais custosos para a companhia devido a deals de exclusividade com redes de restaurantes, o segmento viu um salto de 17,4% na receita em relação ao trimestre anterior, somando US$2,2 bi, enquanto que o EBITDA do segmento saiu de -US$161 milhões para -US$12 mi, se aproximando muito do breakeven da operação.

 

A Uber também possui posições em outras companhias do setor que atuam em outros países ou setores em que a empresa não está presente, como a DiDi, a Grab, a Aurora, Yandex Taxi, Zomato, Joby e Lime. Dessa forma a empresa espera ser capaz de capitalizar com o crescimento de mercados e setores sem para isso precisar se envolver na administração destas companhias.

 

Inquestionavelmente líder do setor, a Uber tem algumas vantagens sobre outros players do setor, como o pioneirismo e reconhecimento de marca (basta lembrar que uberização se tornou um verbete de dicionário). No entanto, se antes a barreira de entrada no mercado de mobilidade urbana era artificial, hoje ela é inexistente. Nesse cenário, justamente a oportunidade para o surgimento da companhia, pode acabar se tornando um desafio para a manutenção da sua liderança. Resta saber se outros concorrentes tomarão a liderança do mercado ou se a Uber continuará reinando acima de todos.

 

 

*Esse conteúdo é apenas para informação e não deve ser entendido como uma oferta ou recomendação de investimentos. Performance passada não garante resultados futuros.

Clique aqui para acessar as ações disponíveis na Stake.


Não tem o app da Stake?

Saia na frente! Ganhe uma ação da Nike, Dropbox, GoPro ou uma ação surpresa se você fizer um depósito mínimo de R$500 nas primeiras 24h após a abertura da conta.


Relacionados