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Spotlight: Spotify

5 horas de pesquisa, 5 minutos de leitura. Destaque para as ações de Wall Street. Conheça o Spotify.

A forma como escutamos músicas vem mudando consideravelmente. Você muito provavelmente já não usa mais seus iPods e MP3 players e o Walkman é hoje uma peça de museu. Em um mercado que muda constantemente, hoje os serviços de streaming reinam. Mas apesar dos gigantes do vale do silício tentarem ganhar a briga, o líder do setor nasceu em Estocolmo e atende pelo nome de Spotify. Vamos explorar como uma pequena startup da Suécia se tornou o maior gigante da música mundial.

O triunfo da comodidade

Durante décadas a indústria da música lutou contra a pirataria: primeiro contra as cópias de CDs, depois contra sites e aplicativos de downloads de músicas como o Napster e outros serviços de transferências P2P, em que as transferências de arquivos são feitas diretamente entre usuários, sem passar por um servidor central, sendo por isso mesmo mais difícil de censurar. Para muitos, a batalha era considerada perdida, mas a indústria da música iria descobrir um improvável aliado: a preguiça.

 

Baixar a discografia de vários artistas demanda tempo, espaço no disco rígido e conhecimento de tecnologia para conseguir acesso aos portais e aplicativos em que esse tipo de conteúdo é compartilhado. Em compensação, usando o Spotify você tem acesso a mais de 70 milhões de músicas de milhares de artistas, à distância de um clique. E o melhor: graças a seu modelo de negócio freemium, é possível ter acesso a tudo isso completamente de graça.

 

Usuários do aplicativo podem realizar o pagamento de assinaturas mensais (que podem ser individuais, para duas pessoas ou um plano familiar) ou optar por utilizarem um plano gratuito, com a contrapartida de terem de escutar alguns anúncios entre uma música e outra, como na era do rádio. Os planos pagos também têm outra vantagem: pagando a assinatura, o usuário pode até mesmo fazer o download das músicas para ouvir offline, sem necessidade de conexão com a internet.

 

Hoje com mais de 165 milhões de assinantes e 365 milhões de usuários ativos em 178 países, podemos dizer que o modelo de negócios da empresa foi um grande sucesso. E se a preguiça e o modelo de negócios freemium foram grandes aliados para que o streaming vencesse o jogo contra a pirataria, eles não são os únicos fatores que explicam o sucesso do Spotify.

 

Curadoria robótica e humana

Uma das funcionalidades que mais cativa os usuários do aplicativo são as recomendações feitas pelo seu algoritmo: com base nas músicas que você curtiu ou nos artistas mais tocados no seu perfil, o Spotify te sugere bandas e cantores de quem você possa gostar, tocando automaticamente assim que a sua seleção de músicas terminar de tocar. Dessa forma a companhia espera não apenas aumentar o tempo de utilização de usuários não-pagantes para conseguir transmitir mais anúncios, mas também fidelizar o público de assinantes.

 

Porém a curadoria musical no aplicativo não fica restrita aos robôs. O Spotify também permite que seus usuários criem e compartilhem playlists feitas para momentos diferentes, o que não só ajuda quem não tem nenhuma vocação para DJ, como também auxilia a viralização e publicidade do aplicativo, já que seus usuários criam e compartilham playlists para amigos e familiares nas mais diversas redes sociais.

 

Para ajudar na divulgação, a empresa também fecha parcerias com outras grandes companhias na busca de conseguir expandir ainda mais a sua base de usuários. Apenas em 2021 ela realizou parcerias com a Samsung, Microsoft, PayPal, Epic Games (produtora do game Fortnite), TikTok e Vivo. As parcerias funcionam em diferentes países, mas de maneira geral o modelo é bem simples: oferecimento de uma conta premium totalmente gratuita durante três meses, na esperança de que eventualmente os usuários se fidelizem e sigam assinando o serviço.

 

Pode pá

Se o Spotify pretende seguir crescendo em número de usuários, é claro que ele não podia ficar de fora do formato de conteúdo que mais cresce na internet: o de podcasts. No aplicativo já há mais de 2,9 milhões de podcasts disponíveis. Se considerarmos que são 70 milhões de músicas disponíveis, é um podcast para cada 24 canções. Ou seja, para cada dois álbuns que você escuta, tem um podcast disponível.

 

Quando falamos de podcasts, um peso pesado é o detentor do cinturão de campeão: Joe Rogan. Com mais de 1.700 episódios, cada um com milhões de streams, o Joe Rogan Experience é o maior podcast do planeta. O uso do adjetivo “maior” não se refere somente à popularidade do podcast, mas também à duração dos seus episódios, que podem chegar a mais de cinco horas.

 

Apresentado pelo comentador de UFC Joe Rogan, o podcast quebra todas as regras tacitamente estabelecidas para a criação de conteúdo: os episódios são longos, sem um roteiro definido e nos quais não há temas ou convidados que sejam polêmicos ou controversos o suficiente para não serem abordados ou convidados para o programa. A relativa anarquia instaurada por Rogan catapultou o podcast para a fama e em 2020 o Spotify fechou um contrato de exclusividade no valor de US$ 100 milhões com o apresentador, que antes hospedava seu conteúdo no YouTube.

 

A chegada de Rogan para o portfólio do aplicativo sem dúvida deve ter atraído uma legião de fãs, mas também atraiu críticas. Em busca de dialogar com diversos pontos de vista diferentes (e de conseguir mais audiência), Rogan abre as portas até mesmo para figuras polêmicas, como o apresentador de extrema direita Alex Jones, que pôde expor suas opiniões no programa. Isso trouxe críticas até mesmo internas: funcionários do Spotify protestaram contra a vinda do comentador de MMA e a companhia acabou removendo 42 episódios do seu podcast.

Música para meus ouvidos

De nada adianta fazer grandes parcerias e trazer grandes nomes do show business se isso não se traduzir em lucratividade. Felizmente, recentemente o Spotify tem se mostrado um forte gerador de caixa: apenas no segundo trimestre de 2021 a companhia faturou mais de 2,3 bilhões de euros.

 

A receita vem crescendo cerca de 23,35% nos últimos três anos, com uma margem de lucro bruta de 26,39%. As despesas operacionais e com pesquisa e desenvolvimento vêm caindo, o que mostra que o aplicativo já vem se consolidando e precisando cada vez de menos investimentos. Em contrapartida, os gastos com marketing vêm aumentando (as parcerias não vão se pagar sozinhas).

 

No entanto, a pior despesa do Spotify é com propriedade intelectual: atualmente a empresa gasta 3,6 bilhões de euros apenas para pagar os royalties dos artistas e produtores de conteúdo que são tocados em sua plataforma. É de se imaginar quanto a cantora de pop Olivia Rodrigo deve ter ganho no lançamento do seu álbum SOUR, que teve mais de 63 milhões de ouvintes apenas no seu primeiro dia no aplicativo.

 

Apesar do modelo freemium, o Spotify ainda é altamente dependente do modelo de assinaturas. Dos 2,3 bilhões de euros da receita do segundo trimestre de 2021, apenas 225 milhões são provenientes dos anúncios tocados para quem tem uma conta gratuita. A companhia também sofre para ganhar tração na Ásia e Oceania, que representam menos de 20% do seu mercado, ainda muito concentrado na Europa. O velho continente responde por 34% do faturamento, enquanto a América do Norte responde por 24% e a América Latina conta com 22%.

 

Surpreendendo positivamente os analistas desde o início de 2021, talvez a maior dificuldade a ser superada para a valorização das ações do Spotify sejam as altas expectativas. Atualmente o mercado espera que a empresa veja um aumento de 123% do seu EBITDA. Historicamente a receita de anúncios tende a ser maior no quarto trimestre, graças a importantes datas para o varejo, como a Black Friday e o Natal.

 

Para o resultado do terceiro trimestre, a empresa estima atingir cerca de 380 milhões de usuários ativos e uma receita entre 2,31 e 2,51 bilhões de euros, com cerca de 172 milhões de assinantes. Se o balanço da companhia vai desafinar ou se ela vai seguir soando como uma sinfonia, só o tempo irá dizer.

 

*Esse conteúdo é apenas para informação e não deve ser entendido como uma oferta ou recomendação de investimentos. Performance passada não garante resultados futuros.

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