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Spotlight: PayPal (PYPL)

5 horas de pesquisa, 5 minutos de leitura. Destaque para as ações de Wall Street. Saiba mais sobre o PayPal

Se você tentasse criar um ecommerce no final dos anos 90, provavelmente enfrentaria muitas dificuldades para processar pagamentos de maneira segura. Inserir as informações do seu cartão de crédito em um site aleatório ainda assusta as pessoas até hoje, então é de se imaginar quão difícil era convencer as pessoas a fazer isso em uma época em que as compras on-line não faziam parte do cotidiano popular.

 

Na verdade, se você fosse o proprietário de uma pequena empresa ou apenas tentasse comprar e vender mercadorias em um mercado on-line como Craigslist ou eBay, provavelmente nem conseguiria aceitar pagamentos com cartão de crédito. E se as transferências eletrônicas não são baratas nos Estados Unidos hoje, nos anos 90 elas eram ainda mais caras.

 

Essas circunstâncias criaram o cenário perfeito para o surgimento de carteiras digitais como o PayPal. Na realidade, a empresa não começou como PayPal. Não era nem uma única empresa: o PayPal foi o resultado de uma fusão bem-sucedida entre a empresa Confinity de Peter Thiel, Max Levchin e Luke Nosek e a empresa X.com de Elon Musk, Harris Fricker, Christopher Payne e Ed Ho.

 

Inicialmente o Confinity estava focado em software de segurança digital, mas não encontrando sucesso nisso, rapidamente se tornou uma carteira digital, que se chamaria PayPal e seria lançada em 1999. O X.com era um banco online, tendo, portanto, muitas sinergias com o PayPal. As duas empresas se fundiram em março de 2000, na esperança de expandir o negócio de carteiras digitais. E pode ter certeza que tiveram sucesso nisso.

 

Em 2001, a empresa já tinha mais de 12,8 milhões de contas cadastradas e um volume total de pagamentos (TPV) de mais de US$ 3,5 bilhões, que ajustado pela inflação seria de mais de US$ 5,8 bilhões. O PayPal decidiu abrir seu capital no início de 2002, logo após o estouro da bolha das pontocom. Sendo uma das poucas empresas que conseguiu sobreviver ao crash, conseguiu levantar US$ 70,2 milhões em seu IPO e chamou a atenção de alguns players muito importantes da economia digital.

 

Surfando o crescimento

 

Quando o PayPal abriu seu capital, cerca de 68% de sua receita vinha de varejistas online como o eBay. Com isso em mente, não foi uma surpresa quando o eBay decidiu cortar o intermediário e adquirir a carteira digital, tornando-a privada mais uma vez. Quando o PayPal estreou no mercado de ações em fevereiro de 2002, estava avaliado em pouco menos de US$ 1 bilhão, mas quando a aquisição pelo eBay foi finalmente fechada em outubro do mesmo ano, o varejista decidiu pagar US$ 1,5 bilhão em suas próprias ações. Isso é um retorno de mais de 50% em menos de 12 meses, em um período no qual o mercado ainda estava avesso a risco.

 

Se a princípio pode parecer que o eBay pagou demais, o investimento claramente valeu a pena. Não apenas porque naquela época 25% das vendas do eBay eram realizadas através do PayPal, mas porque sob o guarda-chuva do eBay, o PayPal continuou a crescer, conquistando mais de 100 milhões de usuários e fazendo muitas aquisições importantes, como a VeriSign e a mais importante, o Venmo.

 

Com mais de 4.200 bancos operando no país, o setor bancário nos Estados Unidos é extremamente competitivo. Mas ter um mercado tão diluído também tem seus contras: a liquidação de transferências de dinheiro entre bancos diferentes leva tempo e as taxas podem ser enormes. Se o PayPal revolucionou as transferências eletrônicas para ecommerces, o Venmo revolucionaria as transferências de dinheiro entre as pessoas. Por meio de um aplicativo de smartphone simples e fácil de usar, os americanos podiam transferir dinheiro e fazer pagamentos sem ter que pagar um centavo por isso. Isso tornou o Venmo extremamente popular e, eventualmente, responsável por quase um quinto do TPV do PayPal.

O divórcio

 

Em 2012, o TPV do PayPal atingiu US$ 145 bilhões, gerando mais de US$ 1,3 bilhão em receita, equivalente a 40% da receita do eBay. O investidor bilionário ativista Carl Icahn, juntamente com outros acionistas do PayPal, achou que a empresa estaria melhor sem o varejista e, portanto, pressionou por uma cisão. Em julho de 2014, o PayPal abriria seu capital novamente, atingindo o valor de mercado de mais de US$ 49 bilhões.

 

Desde o divórcio, o PayPal disparou, processando cerca de US$ 200 bilhões em TPV no último trimestre de 2019, muito acima dos US$ 53 bilhões de quando abriu seu capital novamente em 2014. Quando a pandemia chegou em 2020 e o comércio eletrônico decolou, o PayPal ganhou força e o TPV subiu para US$ 0,94 trilhão. As ações dispararam e, em julho de 2021, a empresa atingiria US$ 385 bilhões em valor de mercado, mais de três vezes seu valor em março de 2020.

Fortes turbulências

 

Mas o que vem rápido, vai rápido. Enfrentando uma concorrência feroz de nomes como Klarna, Stripe e o Cash App da Block, o PayPal logo enfrentaria sérios problemas para manter sua taxa de crescimento. No terceiro trimestre de 2021, o lucro líquido da empresa começou a cair, caindo continuamente de US$ 1,18 bilhão no segundo trimestre de 2021 para US$ 509 milhões no primeiro trimestre de 2022, sem um único trimestre no meio com qualquer crescimento de lucro.

 

O ritmo de crescimento de usuários ativos também sofreu, com 2021 apresentando uma queda de -33% na taxa de crescimento de novos usuários ativos, totalizando agora 426 milhões. A queda acentuada no crescimento fez as ações afundarem, caindo -75% em relação ao seu recorde histórico e perdendo quase US$ 300 bilhões em valor de mercado.

 

Para o ano fiscal de 2022, a empresa espera que sua receita cresça na faixa de 11% a 13%, com TPV superando US$ 1,4.t, adicionando 10 milhões de novos usuários ativos. O que mais assusta os investidores é que essas previsões foram feitas em abril, antes que os temores de recessão começassem a ganhar força na mídia. Em um ambiente em que as taxas de juros estão subindo e as pessoas podem gastar menos devido à inflação ou à recessão, o PayPal ainda precisa provar que o pior ficou para trás.

 

 

 

 

*Esse conteúdo é apenas para informação e não deve ser entendido como uma oferta ou recomendação de investimentos. Performance passada não garante resultados futuros.

 

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