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Spotlight: Heineken N. V (HEINY)

5 horas de pesquisa, 5 minutos de leitura. Destaque para as ações de Wall Street. Saiba mais sobre Heineken.

Com mais de 150 anos de história, a Heineken é hoje o segundo maior grupo cervejeiro do planeta e a maior produtora de cerveja do nosso país. No Brasil, ela já ultrapassou gigante local Ambev. Hoje analisamos como a cervejaria holandesa conquistou o mundo.

 

Se você pesquisar o emoji de cerveja em qualquer aplicativo ou em qualquer smartphone, certamente vai se deparar com a imagem de copos ou canecas cheias de cerveja amarela, referência à cor das cervejas do tipo lager, campeãs mundiais de consumo. O que muita gente não sabe é que durante muito tempo pensar em cerveja não era sinônimo de pensar em lagers ou outras cervejas claras.

 

Na realidade, quando Gerard Heinenken fundou a Heineken, em Amsterdam imperavam as ales, porters e outros tipos de cerveja escura. Mesmo assim, Gerard decidiu que sua empresa produziria somente lagers. Mais de um século depois, vemos como sua decisão foi acertada. Não é preciso porém ir tão longe: menos de dez anos após a abertura de sua primeira fábrica, a Heineken passaria a ter uma segunda fábrica em Rotterdam, tamanho foi o sucesso da cerveja.

 

Sede por sucesso

 

O mercado de cervejarias é extremamente competitivo, com grandes players bastante capitalizados que buscam crescimento sobretudo através de fusões e aquisições. Foi esse o caso da maior cervejaria do mundo, a belgo-brasileira Ab InBev, com a dinamarquesa Carlsberg e com a americana Molson Coors. Com a Heineken não foi diferente, porém curiosamente a maior parte de suas grandes aquisições são relativamente recentes.

 

Em 2003 a companhia adquiriu a Brau Union, expandindo seu portfólio no leste europeu; em 2010 adquiriu a mexicana FEMSA, adicionando os rótulos Dos Equis e Sol ao seu portfólio; em 2012 realizou a aquisição da cervejaria Tiger, em Singapura, expandindo sua penetração no sudeste asiático e em 2017 realizou a aquisição da Brasil Kirin, detentora das marcas Schin, Glacial, Baden Baden, Devassa e Eisenbahn, se consolidando então como a segunda maior cervejaria do mundo.

O império verde e estrelado

 

Nos dias de hoje, a Heineken está presente em 192 países através de mais de 300 marcas diferentes. Anualmente, o grupo produz 231 milhões de hectalitros de cerveja. Se você também não sabia o que é um hectalitro, saiba que a medida equivale a dez mil litros. Ou seja, em um ano as cervejarias da Heineken produzem 2,3 trilhões de litros de cerveja, em 160 fábricas espalhadas por todo o planeta.

 

Heineken e InBev dividem a liderança em dois dos principais mercados de cerveja do mundo: a holandesa é a líder na Europa, mas no continente americano ela ainda ocupa o segundo lugar. Talvez isso se explique principalmente pela ausência de um rótulo popular nos Estados Unidos, onde a concorrente reina absoluta com nomes como Budweiser, Bud Light, Corona e Modelo. Mesmo assim, o continente americano é o principal mercado da Heineken, responsável por 37% da sua receita.

 

O segmento premium, aliás, é a principal fonte de receita da Heineken, sendo responsável por 40% de seu faturamento anual. Em um mercado altamente concentrado, o crescimento de um player já relevante como a Heineken é um tanto quanto difícil de ser realizado, seja por questões gerenciais ou até mesmo regulatórias. Por isso a companhia tem uma projeção relativamente conservadora para crescimento a médio e longo prazo, acreditando ser factível obter um crescimento de cerca de 120% no segmento de cervejas.

 

Com o mercado de cervejas já consolidado, duas avenidas de crescimento disponíveis para a companhia seriam os de bebidas não-alcoólicas e de outras bebidas alcoólicas, como cidras e seltzers, segmentos nos quais a Heineken acredita ser possível entregar um crescimento de cerca de 550% em seu volume produzido, que atualmente é de mais de 5 milhões de hectolitros por ano.

 

Ressaca de 2020

 

A pandemia da covid-19 foi desafiadora para praticamente todas as empresas do planeta e a Heineken não foi uma exceção. Com lockdowns e o fechamento de bares, a companhia viu seu lucro líquido cair quase um bilhão de euros, desabando de 2,5 bilhões de euros em 2019 para 1,5 bi em 2020.

 

E se virou lugar comum dizer que a pandemia escancarou a desigualdade social, no balanço da Heineken isso é bem claro: o volume produzido caiu -8,2%, principalmente nos segmentos mais populares. A companhia conseguiu manter inalterada a produção de seu carro-chefe, a cerveja que carrega o nome da marca, produzindo 41,8 milhões de hectolitros em 2019 e em 2020.

 

O impacto da pandemia também não foi igual em todos os locais. Na realidade, no Brasil, a companhia atingiu uma penetração duas vezes maior do que tinha em 2019, se tornando a cervejaria líder no país, fruto de uma mix de cervejas premium com rótulos populares, abrangendo com sucesso diferentes classes sociais.

 

 

A conta

 

Em 2021 a companhia teve uma receita de 21,9 bilhões de euros, crescimento de 11,16% em relação ao ano anterior, mas ainda distante dos 23,8 bi de 2019. Segundo o management, os anos de 2020 e 2021 foram de mitigação de riscos, ao passo que 2022 e 23 devem ser anos de retomada e construção para o crescimento que deve ser obtido a partir de 2024.

 

Historicamente a Heineken costuma operar com uma alavancagem de 2,5x considerando a dívida líquida pelo EBITDA. Em 2020 esse valor se deslocou significativamente, atingindo 3,4x devido a novos financiamentos e a menor geração de caixa em um cenário econômico adverso. Dito isso, o perfil da dívida da companhia é relativamente equilibrado, à exceção do ano de 2025, quando a quantia díspar de 1,6 bilhões de euros em títulos emitidos pela companhia vencem, boa parte deles tendo sido emitidos em 2020. No ano de 2021 não houve novas emissões e a alavancagem retornou a 2,6x.

 

 

 

*Esse conteúdo é apenas para informação e não deve ser entendido como uma oferta ou recomendação de investimentos. Performance passada não garante resultados futuros.

 

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