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Spotlight: Advanced Micro Devices ($AMD)

Prosperando apesar de nunca ter sido o principal player do setor, a AMD se tornou um dos maiores fabricantes de semicondutores do mundo. Hoje analisamos ela no Spotlight.

Uma das piores coisas que pode acontecer a uma empresa é perder alguns de seus funcionários mais brilhantes. Mas algo ainda pior é fazer com que esses funcionários fundem uma empresa concorrente. Foi exatamente o que aconteceu com a Fairchild, uma extinta fabricante de semicondutores cujo diretor de marketing, Jerry Sanders, viria a criar a Advanced Micro Devices (AMD) com alguns outros colegas. Jerry levou suas habilidades de marketing muito a sério, focando em metas de crescimento orientadas para vendas, algo não muito comum entre outras empresas de semicondutores.

A AMD inicialmente se concentrou na produção de chips lógicos. Sem uma marca conhecida, a empresa teve que convencer o mercado de que seus produtos estavam à altura dos de seus rivais. Para isso, em seus primórdios, a AMD garantia o controle de qualidade no padrão do exército dos Estados Unidos. Na época, muitos concorrentes ainda sofriam com microchips não confiáveis, de modo que o alto padrão de qualidade garantido foi um grande impulsionador de vendas, ajudando a empresa a se tornar uma marca conhecida e estabelecida no setor.

Rivais e Parceiros

A rivalidade entre AMD e Intel remonta à década de 1970. Em 1971, a Intel desenvolveu o primeiro microprocessador já produzido, e em 1975 a AMD também entraria no mercado de microprocessadores de uma forma não muito agradável: realizando a engenharia reversa de um microprocessador Intel. O Am 9080 nada mais era do que um clone do microprocessador 8080 da Intel, despertando tensões entre dois dos maiores players do setor.

Na década de 1980, no entanto, as duas empresas decidiram cooperar: em 1981, a IBM queria usar os processadores da Intel em seus computadores, mas exigia que a Intel tivesse um segundo fornecedor para seus processadores, caso eles não conseguissem atender às demandas. Assim, a AMD e a Intel assinaram um acordo de 10 anos que afirmava que ambas as empresas poderiam adquirir o direito de se tornar um fornecedor secundário de produtos desenvolvidos pela outra em troca de uma taxa paga em royalties. Em 1986 a Intel romperia esse acordo, dando origem a uma série de ações judiciais entre os dois concorrentes nas décadas seguintes.

Aliás, a rivalidade daria até nome para um dos produtos mais icônicos da AMD: os processadores K5, K6 e K7 que antecederam o Athlon, tinham a letra K em seus nomes fazendo referência à Kryptonita, o cristal sobrenatural que enfraqueceu o Superman nos quadrinhos, sugerindo em tom jocoso que isso enfraqueceria a Intel, sua maior concorrente.

Indo às Compras

Embora a AMD tenha se tornado um grande player na indústria de semicondutores, seu sucesso provavelmente não seria tão grande sem as gigantescas aquisições que fez nos últimos 20 anos. Entre as maiores, a maior vaca-leiteira é a fabricante de GPUs ATI. Adquirida em 2006 por US$ 5,4 bilhões, a empresa era a principal concorrente da NVIDIA no setor de placas de vídeo. A aquisição da ATI pode ter sido feita a um preço alto, mas o retorno sobre o capital investido mostra como ela é indubitavelmente valiosa: somente no segundo trimestre de 2022, a receita do setor de gaming da AMD foi de US$ 1,7 bilhão, com GPUs representando grande parte disso.

Outra aquisição gigantesca realizada pela AMD foi o colosso de FPGAs Xilinx, adquirido em 2020 por US$ 49 bilhões. FPGA significa array de portas programáveis ​​em campo. Basicamente, são circuitos integrados que podem ser configurados pelo usuário após sua fabricação, sendo extremamente úteis em diferentes indústrias em todo o mundo, pois podem ser adaptados às necessidades do cliente (até certo ponto). A Xilinx é um dos maiores pesos pesados ​​do mundo em FPGAs: no último trimestre de 2021, a receita líquida da empresa foi superior a US$ 1 bilhão e seu lucro líquido foi superior a US$ 300 milhões.

O futuro

 Devido à explosão de IA e IoT, a AMD prevê um mercado total endereçável de US$ 300 bilhões e pretende entrar nele de cabeça. Apesar da enorme aquisição da Xilinx recentemente em outubro de 2020, a empresa está bem capitalizada, com mais de US$ 5,9 bilhões em caixa e investimentos de curto prazo e sem dívidas assustadoras. Embora a dívida total esteja em um recorde histórico de US$ 3,1 bilhões, a dívida líquida está perto dos mínimos históricos, em US$ -2,7 bilhões e a taxa de juros efetiva sobre sua dívida é de 3,73%, um recorde para a empresa. Isso deve permitir maiores investimentos em P&D que, por sua vez, podem gerar maiores lucros no futuro.

Para o terceiro trimestre de 2022, a AMD espera que a receita seja de aproximadamente US$ 6,7 bilhões, um aumento de aproximadamente 55% ano a ano, liderado pelo crescimento nos segmentos de Data Center e Embedded (FPGAs). Para todo o ano de 2022, a AMD continua esperando que a receita seja de aproximadamente US$ 26,3 bilhões, um aumento de aproximadamente 60% em relação a 2021.

*Esse conteúdo é apenas para informação e não deve ser entendido como uma oferta ou recomendação de investimentos. Performance passada não garante resultados futuros.

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