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Nathalia Arcuri fala sobre a democratização do acesso à educação financeira

Conversamos com Nathalia Arcuri, especialista em finanças e fundadora da Me Poupe!, plataforma de entretenimento financeiro que impacta 20 milhões de pessoas todos os meses.

Tornando o acesso ao conhecimento cada vez mais democrático

Conversamos com Nathalia Arcuri, especialista em finanças e fundadora da Me Poupe!, plataforma de entretenimento financeiro que impacta 20 milhões de pessoas todos os meses

Desde muito cedo, Nathalia Arcuri entendeu a importância de guardar e investir seu dinheiro. Tinha apenas 7 anos quando descobriu que uma colega de classe tinha ganhado uma poupança do pai, que faria aportes mensais para que a menina conseguisse comprar um carro quando completasse 18 anos. Encantada com a ideia, ela passou a poupar tudo o que ganhou durante a vida e, aos 17 anos, já tinha acumulado R$ 6.800,00, o equivalente a R$ 21.000,00 nos dias de hoje.

Estudou jornalismo, trabalhou na TV e, aos poucos, encontrou sua verdadeira missão:  “melhorar a vida financeira de pelo menos uma pessoa no Brasil”. E é o que ela faz ao oferecer conteúdos, cursos, aulas na Me Poupe!, redes sociais, YouTube e programas de rádio e televisão.

Você acredita que ainda hoje existe um estigma de que investir em ações é muito arriscado, que é apenas para pessoas mais arrojadas?

Para investir na bolsa é preciso estratégia para escolher seus ativos, traçar metas e objetivos claros, aprender a enxergar as grandes oportunidades do mercado, saber quando comprar e quando vender uma ação. Ou seja, exige estudo e tempo. Investimento em bolsa de valores é arriscado, mas somente para quem não sabe o que está fazendo. De qualquer forma, ainda existe a possibilidade de investir em fundos imobiliários, por exemplo, uma opção em renda variável considerada um pouco mais segura. Caso o perfil seja mais conservador é possível seguir optando pela renda fixa. O que não dá pra fazer é esperar pra amanhã, pois o medo vai te fazer perder dinheiro.

Pesquisa da Me Poupe! demonstrou que a mulher investidora é casada e aplica dinheiro desde cedo. A que se deve essa evolução?  Você considera que, para a mulher, é mais importante investir no mercado de ações desde cedo do que para os homens?

A participação feminina no mundo dos investimentos têm aumentado nos últimos anos e essa democratização é extremamente importante. Porém, mesmo com o crescimento representativo (este ano batemos o recorde de 1 milhão de mulheres na bolsa), elas ainda são 27% das investidoras na Bolsa e 32,6% dos CPFs cadastrados no Tesouro Direto. Estamos no caminho, mas ainda há muito a ser feito e, para isso, precisamos incentivar cada vez mais mulheres a conhecerem todas as possibilidades de investimentos inteligentes. Uma das metas da Me Poupe! para 2021 é levar o percentual de mulheres investindo na Bolsa para 30% até o fim do ano. Entretanto, não existe crescimento individual sem considerar o todo. É importante não só para o público feminino, mas para todos, que se considere o universo dos investimentos o quanto antes.

Ainda hoje, algumas pessoas preferem manter o dinheiro na poupança. Na sua visão, por que isso ocorre?

Ocorre porque as pessoas ainda não conhecem a Me Poupe! (risos). Poupança nunca é vantajosa e o rendimento é muito baixo (às vezes ele nem existe). Hoje é possível encontrar produtos que rendem muito mais e isso varia de quanto a pessoa já tem para investir, seu perfil de investidor e quais são seus objetivos. O Tesouro Direto, mesmo não estando no seu auge, rende mais do que a poupança e é uma ótima opção para montar a reserva de emergência. Temos também os bancos digitais, que já rendem de 100% a 150% do CDI, por exemplo. A renda variável ainda é uma das melhores opções para quem quer aumentar o seu patrimônio, mas é preciso preparo e ter um perfil mais propenso ao risco.

Por outro lado, muitos brasileiros já estão entendendo a importância de investir em ações, com pensamento de longo prazo e buscando novas formas de investir o dinheiro. A que você atribui essa mudança de comportamento?

O número de investidores pessoa física está crescendo de forma mais acelerada e isso não é por acaso. Segundo uma pesquisa divulgada pela B3, 73% das pessoas entrevistadas disseram ter aprendido a investir com YouTube/Influenciadores digitais e 45% em plataformas online. Estamos cada vez mais democratizando o tema, eu, outros influenciadores e até mesmo veículos de comunicação, que nasceram com objetivo de olhar com mais detalhes sobre o tema. Entretanto, ainda estamos longe do ideal e é por isso que sigo investindo tempo e acreditando na minha empresa. Vamos chegar muito mais longe.

Você acredita que investir no mercado americano pode se tornar também mais comum entre esses novos investidores, como um próximo passo?

Tudo vai depender do nível de maturidade de quem estiver investindo. Entrar no mercado americano faz sentido para quem já explorou as possibilidades internamente, inclusive em produtos financeiros atrelados ao dólar e à bolsa americana, como ETFs. Antes de seguir, a pergunta a se fazer é: Qual retorno eu espero e qual risco estou disposta(o) a tomar para alcançar esse objetivo? Quem souber responder a essa pergunta sempre fará um bom negócio dentro ou fora do Brasil.

Atualmente, investir em renda variável, e até mesmo no exterior, é mais fácil do que era no passado? Por quê?

É mais fácil porque agora existem informações mais didáticas e descomplicadas, inclusive na TV (lancei o Me Poupe! Show em TV aberta, justamente para chegar até mais pessoas). Acredito que com as novas plataformas de comunicação o acesso para o conhecimento está cada vez mais democrático.

 

*Esse conteúdo é apenas para informação e não deve ser entendido como uma oferta ou recomendação de investimentos. Performance passada não garante resultados futuros. As opiniões expressadas nesse artigo são do entrevistado e não representam necessariamente a opinião da Stake.


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