Share

Marink Martins: “O cerco dinâmico é uma operação que é boa por natureza, não permite ganhos expressivos, permite ganhos frequentes”

Conversamos com Marink Martins, estrategista da MyVOL, site de análise internacional e especialista em cerco dinâmico. Confira o bate-papo exclusivo.

Atuar no mercado de ações de uma forma não direcional é o que faz Marink Martins há quase três décadas. Formado em Finanças pela Universidade do Norte da Flórida, atualmente é um dos maiores especialistas do Brasil em operações do tipo, com especial foco em Opções e em volatilidade.

 

Confira abaixo o nosso bate-papo exclusivo com o fundador do MyVol.

 

O que é a estratégia do cerco dinâmico e como ela surgiu na sua vida?

O cerco dinâmico é uma parte do que eu faço. Como gestor, eu sempre estive focado nesta operação que existe desde que o modelo de opções do black-scholes foi concebido nos anos 1970, muito desenvolvido pelo Emanuel Derman, da Goldman Sachs, que é uma grande influência no que eu faço.

 

É uma operação antiga mas que, obviamente, agora conta com a sofisticação da computação. Por isso, hoje existem formas bem mais automatizadas de fazer isso via algoritmos, mas é uma parte importante, central no que eu faço. 

 

O cerco dinâmico é uma estratégia que faz uso de ações e opções, e eu faço uso aqui do instrumento mais líquido no Brasil no que diz respeito à renda variável, que são ações da Petrobras com opções da Petrobras. 

 

O cerco dinâmico é simplesmente o nome que a gente dá ao tipo de operação em que eu compro ação e vendo opções. Esta relação entre a compra e a venda é feita dinamicamente, obedecendo a um determinado modelo, e isso é ajustado ao longo do tempo. Pode parecer complicado, mas eu faço de uma forma bem simples no MyVol.

 

É necessário ter muito conhecimento do mercado e acompanhá-lo intensivamente para  colocar em prática a estratégia do cerco dinâmico?

Na verdade, o que eu faço no MyVol é justamente o contrário disso. Eu fico aqui sentado na tela olhando para o mercado, acompanhando o tempo todo, justamente para que aqueles que acompanham minha operação não precisem fazer isso. Eu não só faço ajustes nessa operação, como vou passando para meus clientes por meio de áudios por WhatsApp, vou me comunicando com as pessoas que me seguem, que aprendem com esta operação, de forma que elas não precisem ficar olhando para o mercado o tempo todo. 

 

Isto pode ser feito de uma forma bem intensa ou de uma forma mais suave e eu faço de uma forma mais suave. Obviamente que isso impacta na expectativa de ganho. Eu fiz isso dentro da Inversa Publicações, casa de análise afiliada à Empiricus, e deu muito certo, foi muito tranquilo e com vários seguidores. Não era uma coisa de toda hora “compra e vende”, era uma coisa mais pontual. Dá para ter este tipo de atuação na bolsa de forma mais amena. 

 

Existem diversas maneiras de atuar na bolsa, que vão além de simplesmente comprar um ativo e esperar que este ativo se valorize, outras formas em que o investidor pode gerar renda dentro da bolsa. Fazendo uso de derivativos, como opções e contratos futuros, é uma delas. 

 

De uma forma muito resumida, o cerco dinâmico é uma estratégia que faz uso de derivativos para gerar renda para o investidor ao longo de sua jornada na renda variável.

 

Existe alguma semelhança com operações de Day Trade?

O Day trade tem como objetivo comprar e vender ações no mesmo dia e ganhar dinheiro com isso. O cerco dinâmico é uma operação contínua, você carrega uma posição e atravessa seu vencimento — estes contratos de derivativos tem um vencimento — e quando se aproxima desta data, a gente já rola para o vencimento seguinte. É uma operação praticamente contínua. 

 

Não é uma operação de day trade, ela tem suas oscilações bem próprias. É uma forma mais vinculada à mentalidade de tesouraria de banco. Tesouraria de banco não, necessariamente, está investindo se a bolsa vai subir hoje ou se vai cair, eles fazem muitas operações tipo arbitragem, ou seja,  você compra um ativo e vende outro esperando que este ativos convirjam um para o preço do outro. Então, existem umas formas um pouco mais sofisticadas de investir, mas que não necessariamente são mais difíceis de compreensão.

 

Muitas vezes, a gente pensa em bolsa de uma forma muito especulativa, mas a gente tem outras formas de investir. Não é simples também, não é fácil, nada é fácil na bolsa de valores, mas é possível você atuar de uma forma não direcional. Por não direcional, quero dizer que você não está apostando no sobe e desce, você está apostando mais na passagem do tempo. 

 

Com o cerco dinâmico, assim como uma seguradora — eu brinco que a gente é uma microsseguradora –, você entra na operação e busca ganhar dinheiro com a passagem do tempo. Uma seguradora vende uma apólice de seguro e, se nada ocorre naquele período, aquele prêmio vai para a seguradora e é assim que a gente tenta fazer no mercado de ações. Naturalmente, o mercado de ações é muito mais volátil do que o mercado segurador, mas esta é a natureza da operação.

 

Você acha que para o investidor pessoa física, que não tem muita experiência de mercado, também é possível utilizar a técnica do Cerco Dinâmico?

Eu ensino esta técnica e ela não é tão complexa como pode parecer, ela requer mais disciplina mesmo, mas os princípios associados a esta técnica não são tão complexos, eles só exigem uma forma diferenciada de você olhar para o mercado e menos ganância.

 

A operação é até simples, mas não é tão fácil também, não quero passar uma imagem de que você coloca um dinheiro nessa operação e esquece, ela vai requerer sim alguns ajustes. Em dias mais voláteis dá mais trabalho para ajustar e pode resultar em perdas também, não é uma operação de renda fixa, é uma operação de renda variável só que com outro viés, com outra ótica.

 

E como é possível aprender esta técnica com você?

Eu não tenho um curso, eu tenho uma assinatura na MyVol onde, eu não só falo do cerco dinâmico, mas falo muito mais sobre este meu acompanhamento do mercado. Gravo áudios matinais e ao longo do dia vou atualizando as informações. O MyVol não é uma casa de análise, é um site de um analista, que sou eu, e eu presto este serviço, onde eu explico para as pessoas de uma forma muito específica e individualizada. 

 

Como eu ainda não tenho um número de assinantes muito elevado, ainda tenho tempo para conversar com as pessoas de uma forma bem individualizada. Quem tem interesse entra e faz parte deste sistema em que vou passando áudios falando sobre o mercado. Eu também  agendo um dia com a pessoa que quer aprender e passo esta explicação, entrando em detalhes maiores, passando uma planilha de acompanhamento, explicando como utilizar esta planilha. Meu atendimento é feito de uma forma muito individualizada. 

 

Na Inversa Publicações e na Empiricus, eu fiz um curso de cerco dinâmico bem robusto mas, aqui no MyVol, eu faço de uma forma muito mais personalizada. Foi muito legal, durou três anos e gerou retornos aproximados de 2% ao mês, em média, com uma certa variação. Em momentos como a pandemia, gerou prejuízos, mas recuperou logo em seguida. Tivemos a greve dos caminhoneiros também, mas sempre teve uma recuperação. No geral, é uma estratégia vencedora e é uma estratégia utilizada em tesouraria de banco. Então, com o cerco dinâmico, eu trago para o mundo da pessoa física um conceito muito explorado nas tesourarias dos bancos.

 

Qual sua história com investimentos? Como surgiu seu interesse e como foi sua trajetória no mercado?

Eu fiquei 10 anos nos Estados Unidos, comecei com um intercâmbio cultural quando eu tinha 16 para 17 anos. Depois, fui fazer faculdade nos Estados Unidos — eu me formei em Jacksonville na Universidade do Norte da Flórida, fiz a faculdade e o mestrado na mesma universidade. Quando eu terminei o mestrado, era uma época de fortes transformações no Brasil, os bancos de investimentos estavam se desenvolvendo e crescendo bastante, eu voltei e comecei minha carreira no Banco Bozano, que me transferiu e eu fui trabalhar em Nova York.

 

Além disso, meu pai atuou no mercado de ações, então sempre tive interesse por essa área. Durante minha experiência no Banco Bozano foi um período muito turbulento para o mundo: tivemos a crise asiática, a desvalorização no Brasil, então foi uma época de muito aprendizado e foi quando eu vi que gostava muito daquilo e desenvolvi uma carreira em cima disso. Nem tudo foram flores, tiveram diversos momentos de adversidades, mas estamos vivos.

 

E como foi deixar o Banco Bozano e seguir carreira solo? Foi uma decisão boa ou ruim?

Comecei uma carreira solo, que dura até hoje, e que teve alguns desafios. A crise de 2008 foi extremamente difícil para mim, tive perdas significativas ali, tive que redirecionar minha carreira, até voltei a atuar por algumas instituições, então tive diversos momentos difíceis no mercado também.

 

Qual o momento de maior euforia na Bolsa de Valores que você viveu e qual a pior crise que já passou? Quais aprendizados tirou?

Esse tipo de operação que eu faço é um tipo de operação que você normalmente ganha com uma elevada frequência e quando você perde, normalmente, há uma assimetria que necessita de uma gestão de risco muito madura. O que aconteceu comigo foi que as coisas caminharam muito bem até 2008, mas, quando enfrentei a crise 2008, eu sofri muito, não tive a maturidade necessária e acabei tendo perdas que foram impactantes.  Depois desse tombo, tive que, praticamente, recomeçar minha carreira a partir de 2009.

 

E a melhor onda que você surfou, quando foi?

Em situações normais, esta operação que faço é boa por natureza, não permite ganhos expressivos, ela permite ganhos frequentes mas, ela tem essas vulnerabilidades porque, se ela tem este ganhos frequentes você acaba ficando um tanto complacente, achando que sempre tudo vai dar certo. Por isso,  ela precisa de alguém fazendo essa gestão de risco para, quando vier a crise, se perca pouco. 

 

Eu passei pela pandemia de uma forma mil vezes melhor do que passei pela crise de 2008. Na pandemia acabei performando bem, mas não quer dizer que eu ganhei dinheiro à beça, não tem nenhum momento que você ganha muito dinheiro com o cerco dinâmico. Você ganha um pouco, com frequência e nos momentos de adversidades você tem que saber perder pouco.

 

É possível aplicar a estratégia do Cerco Dinâmico em investimentos no exterior?

Acompanho o mercado global de perto. O conceito do cerco dinâmico pode ser aplicado a qualquer ativo. Pode ser aplicado à Petrobras, pode ser aplicado às ações da Apple, contanto que tenha um mercado de opções que seja um mercado líquido, que tenha muitos participantes. 

 

Então, dá para fazer isso com um ETF associado ao S&P500, dá para fazer aqui no Brasil com a Petrobras, Vale, IBOV11. Com a estratégia do cerco dinâmico a pessoa compra um ativo base e vende opções. O cerco dinâmico está ligado muito mais à quantas opções você vai vender para proteger sua operação, como você vai ajustar as operações conforme o mercado sobe e desce.

 

Como nasceu o MyVol, com qual objetivo, e qual o alcance do site?

O MyVol nasceu em 2017 e é voltado à análises internacionais. Tenho acesso à pesquisas de primeira linha, então, meu foco, em termos analíticos, é muito mais macroeconomia global, falando sobre o petróleo, muito foco no que diz respeito ao principal índice de bolsa dos Estados Unidos, que é o S&P500. 

 

Tenho o lema “transformando você em um investidor global” porque o Brasil não está isolado. Eu comecei minha carreira na crise asiática, lá em 1997, e a gente aqui, naquela época, ficou muito chocado com as quedas que a gente via na Malásia, na Tailândia e, desde então, temos um mercado que está muito mais atento a essas correlações globais.

 

Hoje o Brasil, por exemplo, exporta grande parte de seus produtos para a China e o que ocorre por lá naturalmente tem uma influência forte por aqui em termos cambiais. Hoje a gente está vivendo um problema mais específico do Brasil, que é essa crise fiscal, essa tensão no Congresso, mas boa parte do tempo a gente está inserido nessas correlações globais e este é o foco da MyVol.

 

 

 

 

*Esse conteúdo é apenas para informação e não deve ser entendido como uma oferta ou recomendação de investimentos. Performance passada não garante resultados futuros. As opiniões expressadas nesse artigo são do entrevistado e não representam necessariamente a opinião da Stake.


Não tem o app da Stake?

Saia na frente! Ganhe uma ação da Nike, Dropbox, GoPro ou uma ação surpresa se você fizer um depósito mínimo de R$500 nas primeiras 24h após a abertura da conta.


Relacionados