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Leandro Benincá em como a educação financeira pode transformar vidas

Conheça a história de Leandro Benincá, educador financeiro da Comunidade “Um A Menos Na Poupança”, palestrante e empreendedor. O especialista, que saiu do marketing e se apaixonou pelo mundo das finanças após experimentar o gosto amargo da falência e do endividamento, tem muitas dicas certeiras para quem quer começar a investir

Como você entrou para o mundo dos investimentos? Com que idade começou a investir?

Eu entrei para o mundo das finanças de um jeito nada ortodoxo. Comecei quebrando. Tinha uma agência de marketing, fiquei doente, tive um burnout, e quebrei. Por causa dessa falência e do fechamento repentino da empresa, tive que correr atrás de dinheiro, porque fiquei muito endividado e comecei a procurar como as pessoas faziam para se livrar de uma dívida de R$150 mil reais. Foi assim que comecei a conhecer o mundo dos investimentos, primeiro sobre reserva e tesouro. Em 2015, já estava pagando minha dívida e entrei na bolsa de valores. Foi aí que comecei a entender esse mundo.

Como se tornou um educador financeiro? E qual a importância da educação financeira na vida das pessoas?

Eu sempre gostei de dar aula. Sou formado em marketing e já dava aulas, consultorias e palestras na minha área. Quando comecei a ir atrás de educação financeira e de investimentos, fui chamado para ser diretor de marketing de uma empresa chamada Organize, que é justamente um software de gestão financeira pessoal.  Lá comecei a gostar ainda mais de finanças e de investimentos e conheci clientes que tinham problemas iguais ou maiores que os meus. Comecei a me comunicar com eles, conhecer meu público, entender os problemas deles e a passar aquilo que eu estava aprendendo na prática. Deu tão certo que, em 2016, eu larguei a Organize, onde já era CEO, e passei a me dedicar só a educação financeira, a ensinar e a palestrar.

Inicialmente, minhas palestras eram presenciais, depois comecei a montar grupos para ensinar finanças e investimentos e, então, comecei a ter contratos com empresas de educação financeira. Na pandemia, comecei a ensinar online e criei o “Um a menos na poupança”, que é uma comunidade para ensinar os alunos a investirem.

O que ensinar as pessoas trouxe para sua vida? Como nasceu seu projeto “Um a menos na poupança”?

Minha vida é ensinar finanças e investimentos. Respondo a todo mundo que me escreve no Instagram, por mensagem direta. São muitas pessoas endividadas ou que querem começar a investir ou que tem dinheiro e não sabem o que fazer da vida. E esse atendimento, essas pessoas que vou conhecendo, essa dedicação com eles, é o que moldou hoje muitas das coisas que eu quero fazer para o resto da minha vida.

O “Um a menos na poupança” nasceu por conta da pandemia. Sempre quis ensinar presencialmente, sempre gostei de sala de aula, de eventos presenciais.  Em maio me vi trancado dentro de casa, sem poder palestrar e dar aula. Foi daí que veio a ideia de fazer a comunidade, mas não queria que fosse um curso online, que eu gravasse e deixasse lá para os alunos. Eu queria me dedicar e ter tempo para os alunos.

Eu realmente acompanho eles, faço lives toda semana para tirar dúvidas, não desligo a live enquanto a última dúvida não é sanada. É uma comunidade onde as pessoas assinam e se mantêm lá. Agora temos assinados mais de 1.000 alunos, mas já passaram por ali mais de 2.500 alunos.

Por que ainda hoje tanta gente prefere manter o dinheiro na poupança?  Você acha que as pessoas já estão ficando mais conscientes de que existem opções mais vantajosas?

Eu acho que a manutenção do dinheiro do brasileiro na poupança, que é mais de 1 trilhão de reais, é puramente uma questão cultural, para não dizer que é uma cultura forçada por campanhas de marketing ostensivas durante muitas décadas. Quem não se lembra do jingle do Bamerindus: “o tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus continua numa boa”? Quem não lembra do “Poupançudos da Caixa”, cofrinhos, brinquedos para as crianças, poupança do banco A, do banco B e até hoje a gente vê isso e é bombardeado com propagandas de poupança.

Os grandes bancos foram, durante gerações inteiras, a única fonte de informações sobre o mundo financeiro.

Ao mesmo tempo, nunca teve tanta pessoa física na bolsa de valores como atualmente. O que aconteceu para ocorrer este movimento de descoberta do mercado de ações?

O crescimento do mercado de ações não tem um fator só. Os investidores que já investiam seu dinheiro em renda fixa, com a queda de juros, tiveram que procurar opções melhores. Mas acho que não é só isso. Tem muito investidor novo, aquele investidor que não tinha dinheiro nenhum em lugar nenhum antes no mercado.  Os meios de comunicação estão ajudando muito, o entendimento das coisas está ficando cada vez mais fácil, até nosso trabalho, de educadores financeiros, com o advento do YouTube, Instagram, Tok Tok, Facebook ajudou muito. As informações chegam e as pessoas acabam sendo impactadas e, devagarinho, começam a entender, a se interessar e acabam entrando para a bolsa.

Para você, qual o maior erro do investidor que está começando agora?

Na minha opinião é quando o investidor olha para o ativo, para o investimento, e não para si. O que a gente mais tem é diversidade de estratégias, de formas, de jeitos de se investir e de ativos. Tem muita coisa diferente e o investidor que acaba buscando essa bala de prata, esse único investimento, acaba se expondo demais porque concentra demais seus investimentos e investe naquilo que ele não conhece. Assim, também fica mais suscetível a cair num golpe. O certo é dar os passos como ele fez para aprender a ler: primeiro aprendeu as vogais, depois as consoantes. Essa ideia de queimar etapas é a coisa mais prejudicial para o investidor iniciante.

Como desmistificar que investir na bolsa de valores é apenas para pessoas arrojadas?

Investir na bolsa de valores não é nem mais nem menos arriscado do que ter uma conta em um banco, do que ter um cartão de crédito. No entanto, um monte de gente tem cartão de crédito, faz financiamento de casa própria de 30 anos…. um financiamento desses oferece muito mais riscos à sua saúde financeira de longo prazo do que a bolsa de valores.

A bolsa pode ser extremamente segura porque tem controle e transparência, só que demanda estudo, demanda que as pessoas parem, aprendam um pouco, leiam um pouco. E nem todo mundo está preparado para aprender, ler e se educar. O maior risco da bolsa de valores é querer pular etapas, querer achar a salvação, a fonte da fortuna em um dia só, em um ativo só. Esse é o maior risco.

Como construir uma carteira de ações mais segura?

É possível construir uma carteira de ações muito segura e é uma matemática muito simples: a diversificação é o único almoço grátis que existe no mercado financeiro. Diversificar te protege. É lógico que, se você quiser ganhar mais, se você sabe o que está fazendo, concentrar um pouco mais ou menos seus ativos pode te fazer ganhar mais. Mas para o investidor que quer se proteger é uma matemática muito simples.

Se você tem um ativo e se esse ativo dá um problema, a empresa quebra, você perde 100% do seu patrimônio, afinal, ele está todo em um ativo. Se você tem dois ativos e um deles dá problema, você perde 50% do seu patrimônio. Se você tem 10 ativos, 10%, 20 ativos, 5%. Essa é uma fórmula que é de graça para todo mundo, um jeito que é fácil para todo mundo: expor-se a diferentes ativos e não concentrar mais sua grana. Fazendo isso você consegue, sem dúvida, construir uma carteira de ações extremamente segura.

Outro jeito é por meio de instrumentos que já foram pensados para serem altamente diversificados, como ETFS, tanto as do Brasil, como as do exterior.  Com os ETFS você pode se expor a um grande número de ativos, a um índice inteiro, por exemplo 80 ações aqui no Brasil ou 500 ações nos Estados Unidos, comprando um ativo só. Por esse caminho, você tem uma exposição muito grande, um viés de sobrevivência dentro desse ETF que te ajuda a estar diversificado e muito mais seguro.

Na sua opinião, qual a importância de investir fora do Brasil?

Acho fundamental, não por algum motivo alarmista, cataclísmico, que o Brasil vai quebrar amanhã, nada disso. Essa não é minha visão. Mas acho que o mercado é gigantesco, é muito grande lá fora e é caro você não aproveitar esse mercado. Você pode aproveitar, ele está à sua disposição, mesmo que o Brasil nunca quebre, nunca tenha problemas. Então, porque você, que já é sócio de empresas brasileiras, não pode ser sócio de empresas americanas, europeias, japonesas? Por que não? Não existem motivos para você dizer “não quero a maior fatia de um mercado gigantesco, não quero fazer parte disso, quero ficar aqui com o mercado pequenininho”. É simplesmente uma questão de lógica.

Você acredita que investir no mercado americano pode se tornar mais comum entre os novos investidores?

Eu não só acredito que investir no mercado americano pode se tornar mais comum, como acredito que vai se tornar uma coisa gigantesca aqui no Brasil. Com a popularização dessa modalidade de investimentos, com essas facilidades de investir em português, porque a barreira da língua é muito grande, investir em português, daqui do Brasil, pagando seu Imposto de Renda daqui do Brasil, fazer essa abertura de compra, de envio e ter sua exposição a ativos americanos, na maior bolsa do mundo, isso é só uma questão de tempo, de popularização, para que se torne realmente gigante. E, na minha opinião, o número de investidores brasileiros investindo lá fora tem potencial para superar o número de brasileiros investindo aqui dentro.

Qual a importância do surgimento de plataformas de investimento no exterior, como a Stake?

É maravilhoso. Plataformas como a Stake são esse caminho, essa estrada pavimentada para os investidores poderem recorrer e trilhar. Porque o processo é muito assustador para quem não conhece: abrir conta numa corretora americana, fazer sua própria remessa de dinheiro, tratar dos seus próprios documentos, lidar com a língua diferente. Então, uma plataforma que se disponha a facilitar esse caminho, e ainda mais, o ponto mais importante, que investe em educação financeira, em informação, como faz a Stake, essa junção, essa fórmula, tem muito a cara do sucesso. Que continue crescendo, porque a democratização do investimento no exterior precisa acontecer em tanta ou com maior intensidade do que a popularização dos investimentos aqui no Brasil.

 

*Esse conteúdo é apenas para informação e não deve ser entendido como uma oferta ou recomendação de investimentos. Performance passada não garante resultados futuros. As opiniões expressadas nesse artigo são do entrevistado e não representam necessariamente a opinião da Stake.


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