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Foco no longo prazo com Fabio Holder

Fabio Holder ou apenas Holder, como é conhecido nas redes sociais, investe em ações nos Estados Unidos desde 2015. Em 2017, criou o Canal do Holder no YouTube, com o objetivo de compartilhar suas estratégias de investimentos de longo prazo na bolsa de valores. Hoje, conta com mais de 530 mil investidores em sua rede e já formou mais de 2 mil alunos em seus cursos.

Como começou sua história com os investimentos?

A minha história como investidor começou em 2008, assim que entrei na faculdade, e logo depois da crise do subprime. Naquele momento, todas as bolsas no mundo estavam caindo e aquilo era noticiado em quase todos os veículos de comunicação. Também era o momento onde eu estava começando a trabalhar e ganhar dinheiro.

Foi quando me surgiu o despertar sobre como investir aquele dinheiro da melhor forma possível e a longo prazo. Eu cursei engenharia civil e me formei em 2013. Como acabei estudando muito sobre investimentos durante esses anos de faculdade, assim que me formei, decidi que queria trabalhar com investimentos, e não no ramo específico de engenharia civil.

Como você divide suas posições entre Brasil e exterior?

Eu tenho uma parcela maior dos investimentos aqui no Brasil, algo próximo a 70% da minha carteira. Isso porque eu comecei a investir primeiro aqui (em 2008) e, nos Estados Unidos, só em 2015. No longo prazo, o tempo é a variável mais importante de todas, pois ela multiplica seus recursos de forma exponencial. Por isso, os meus investimentos no Brasil somam um montante bastante superior aos dos Estados Unidos, mesmo que eu tenha investido mais frequentemente nos EUA nos últimos anos.

Qual a importância de investir fora do Brasil e como equilibrar a carteira?

Investir fora do Brasil significa investir nas maiores empresas do mundo e se aposentar com renda passiva em dólar – uma das moedas mais fortes do mundo, dentro da maior economia do mundo. Esse é o principal motivo e objetivo dos investidores de longo prazo ao acessarem a bolsa norte-americana. No entanto, é importante lembrar que, normalmente, as suas despesas estão aqui no Brasil, em Reais e, por isso, não é saudável ter 100% de uma carteira no exterior. O percentual exato cada um vai ter que decidir em função do seu perfil de investidor, risco e objetivos pessoais. Mas, via de regra, entre 20% e 70% do patrimônio no exterior é algo desejável.

Atualmente, investir no exterior é mais fácil do que era em 2015? O que mudou de lá para cá e o que você acha da democratização do acesso ao mundo dos investimentos?

Investir no exterior é muito mais fácil do que lá em 2015. Era muito mais complicado e burocrático o processo de abertura de conta e envio de remessas. Hoje, é super simples e o processo é feito todo de forma online, sem que o investidor precise sair de casa. Além disso, hoje também é muito mais barato investir lá fora. A maioria das corretoras oferece taxa zero para manutenção de contas e corretagem, além do envio dos recursos ser feito praticamente na mesma cotação do dólar comercial. Hoje não existe motivo para se deixar de investir no exterior.

Você acredita que, em breve, mais brasileiros vão entrar no mercado de ações fora do Brasil, sobretudo nos Estados Unidos?

Na minha visão, isso já é uma realidade. Hoje temos quase 4 milhões de CPFs na bolsa brasileira, e se estima algo próximo a 500 mil CPFs com contas em corretoras no exterior. Considerando que é algo relativamente novo investir no exterior, 500 mil é um número bastante expressivo de investidores lá fora.

Qual a dica de ouro que você daria para o investidor iniciante, que quer começar a investir também fora do Brasil?

O primeiro passo para quem está começando é traçar um plano de investimentos: definir o seu perfil de investidor, os seus objetivos e o nível de risco que deseja correr. Dessa forma, você irá estruturar uma carteira de investimentos que faça sentido com a sua realidade, onde o único resultado possível no longo prazo seja atingir os seus objetivos.

Eu sempre aconselho os investidores iniciantes a começarem a investir no exterior de forma passiva através de ETFs que replicam índices gerais, como S&P 500, por exemplo. Somente para depois ir incluindo ações diretamente na carteira, fazendo uma composição entre empresas de Valor e Crescimento, a depender dos objetivos e níveis de risco estabelecidos previamente. Investir em ações é investir em empresas e empresas possuem níveis de risco distintos.

Algumas são bastante previsíveis em seus resultados e, portanto, também em suas cotações. Outras são mais arriscadas e imprevisíveis. Há espaço para todo o tipo de ação na carteira de um investidor de longo prazo mas, como eu mencionei anteriormente, o investidor precisa primeiro definir quais são os seus objetivos com aquela carteira de investimentos e quanto de risco gostaria de assumir.

Por fim, tenha sempre um plano e fuja de promessas de ganho e enriquecimento rápido, não foi assim que os grandes investidores enriqueceram, e não é assim que a bolsa deveria ser tratada. No final é tudo mais simples do que parece: trabalhar mais, poupar mais, investir em boas empresas e segurar essas ações para o longo prazo. Faça isso e você construirá uma fortuna na bolsa com tempo e disciplina.

Como você avalia o mercado dos EUA?

Eu pessoalmente nunca olho para a bolsa para curtos espaços de tempo. A bolsa, em períodos de até 3 anos, se comporta de forma aleatória, como vários estudos nos mostram. Por isso, eu não me preocupo e não sou capaz de dizer para onde a bolsa vai daqui 6 meses, 1 ano, 2 anos ou 3 anos. No entanto, no longo prazo, a bolsa possui somente uma direção: para cima. É importante, também, o investidor saber selecionar bons ativos, e lembrar sempre que, por trás das cotações diárias, existem negócios, com milhares de funcionários, que geram caixa todos os dias.

O que o investidor de longo prazo quer fazer na bolsa é investir em boas empresas, segurar essas ações, e ganhar no longo prazo, tanto com o crescimento delas – que se reflete nas cotações – quanto com os dividendos, que são distribuídos recorrentemente para os acionistas. É sobre isso que é o buy and hold: comprar, segurar e construir patrimônio. Para nós, que investimos na bolsa para o longo prazo, o que queremos é ganhar uma maratona sentados.

Mais importante do que o segmento que uma empresa esteja inserida, é o investidor saber avaliar se aquela empresa possui uma função específica dentro da carteira dele de longo prazo. Algumas empresas possuem uma característica maior de preservação de capital, com menor risco, e outras possuem uma possibilidade maior de crescimento com maior risco e incerteza. Dentro desse contexto, o investidor deverá selecionar e balancear os ativos de acordo com seu perfil de investidor e objetivos. Por isso, é tão importante definir essas premissas antes de investir.

Outro ponto importante é que nem sempre uma carteira de investimentos vai servir para dois investidores diferentes. Não necessariamente a carteira do Fabio é a melhor carteira do mundo. Ela é a melhor carteira para o Fabio e as ações que estão ali dentro não necessariamente servem para todos os investidores. Por isso que digo que é essencial para o investidor de longo prazo saber montar e selecionar as suas ações individualmente, pois ninguém é melhor do que você mesmo para cuidar do próprio patrimônio e saber os seus objetivos.

 

*Esse conteúdo é apenas para informação e não deve ser entendido como uma oferta ou recomendação de investimentos. Performance passada não garante resultados futuros. As opiniões expressadas nesse artigo são do entrevistado e não representam necessariamente a opinião da Stake.


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