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De trader da mesa de derivativos para estrategista de longo prazo com Bruce Barbosa

Conversamos com Bruce Barbosa, sócio-fundador da Nord Research.

Com quase duas décadas de mercado financeiro, Bruce Barbosa se tornou referência em investimento de longo prazo. Após passar pela BM&FBovespa, trabalhar como Advisor do Wealth Management do BNP Paribas, ser trader da mesa de derivativos de ações do HSBC em Londres e passar pela Empiricus, fundou, com três sócios, a Nord Research, com foco no pequeno investidor.

Confira a entrevista exclusiva:

Você é engenheiro por formação. Como começou sua história com investimentos?

Fiz engenharia mais como um coringa, porque eu não sabia muito bem o que eu queria fazer e passei a faculdade assim. Quando chegou no final, um amigo meu foi trabalhar no mercado financeiro e começou a me contar como era. Foi paixão à primeira vista, paixão ardente mesmo. No fim das contas, eu nunca trabalhei com engenharia.

Como você se tornou investidor em bolsa de valores e quando decidiu que queria atuar profissionalmente nesta área?

Eu fui fazer estágio com este meu amigo em uma agência de rating, mas sempre trabalhando no mercado financeiro e descobrindo as carreiras que existiam e o que eu poderia fazer. Mas sempre gostei porque o mercado financeiro te dá uma visão de tudo. Eu preciso saber o que está acontecendo na política econômica americana ou como a Europa está lidando com a pandemia. Então, une muita coisa e, obviamente, é uma carreira que tem um retorno financeiro interessante e te dá uma independência financeira muito boa. Aprendendo a investir para outras pessoas eu aprendo a investir para mim, ou ao contrário. E minha carreira foi meio que se baseando nisso. Eu passei por vários lugares, mas sempre com foco em tentar aprender a investir, descobrir como fazer o dinheiro render.

Você foi trader da mesa de derivativos de ações em Londres. Como foi sua transição da operação para casa de research?

Eu saí da faculdade e descobri que não sabia nada sobre mercado financeiro. E aí comecei a correr atrás. Fui fazer as provas do CFA (Chartered Financial Analyst), que é o certificado mais bem reconhecido do mercado financeiro.   Fiz a segunda prova do CFA, não passei, aí desisti de fazer o CFA e fui fazer MBA e, depois disso, comecei a trabalhar em Londres. Eu queria ser trader, trabalhar em mesa de operações, porque antes eu trabalhava em private bank e lidava muito com a mesa e  achava aquele negócio fascinante.  Fui então para a mesa de operações do HSBC, em Londres, ser trader de opções. No meio da crise – a Europa teve muitas crises desde 2008 – eles reestruturaram a mesa, acabei saindo e voltei para o Brasil. Eu até tinha opções de fazer outras coisas no banco, mas eu não quis, queria ser trader. Mas o mercado aqui estava muito ruim para mesa de operações e acabei trabalhando em um fundo, no buy side, também sendo trader. Trabalhando lá eu vi que, na verdade, ser trader não é um negócio tão interessante porque ficar brigando com o mercado todo dia é super difícil e não gera tanto valor a longo prazo. Foi quando comecei a focar mais no longo prazo, a ler sobre Warren Buffett, e a aprender a investir com a estratégia que eu uso hoje. 

Sai do fundo e aí acabei entrando na Empiricus e vi que research é algo maravilhoso, que os bancos fazem research, mas não estão focados em ajudar o cliente a ganhar dinheiro, estão focados em ajudar a mesa de operações deles a ganhar dinheiro. O foco do research independente é o contrário. Como a pessoa paga diretamente,  o foco é ajudá-la a investir melhor.  E aí deu super certo com o que eu estava fazendo e o que eu gostaria de fazer. Por isso, saímos e montamos uma research independente, que efetivamente está focada em ajudar a investir a longo prazo.

Qual sua opinião sobre investir no exterior? O número de brasileiros interessados nesse tipo de diversificação está aumentando. Por que está ocorrendo este fenômeno?

Não gosto muito da palavra diversificação porque pode ser um negócio complicado: “vou tirar meu dinheiro de aplicações rentáveis e colocar em aplicações não rentáveis só para ter mais de uma coisa”. Se para alguns significa isso, acho que não faz sentido. Meu pensamento é mais ter um bom portfólio de boas empresas no Brasil e ter um bom portfólio de boas empresas nos Estados Unidos a aí, quando o Brasil for bem e os Estados Unidos forem mal, eu posso aumentar a posição nos Estados Unidos  aproveitando uma queda na bolsa lá e, se o contrário acontecer, também posso aumentar a alocação aqui, tirar dos Estados Unidos  e trazer de volta para o Brasil. A gente sempre pensa que o Brasil vai estar pior que os Estados Unidos, mas não foi o que aconteceu em 2008, por exemplo. Nessa época, o Brasil estava voando e os Estados Unidos estavam preocupados em cair em desgraça, estavam super preocupados que não conseguiriam sair da crise, que foi inclusive originada lá.

É interessante que eu morava lá nessa época e vi bem de perto o que aconteceu, acompanhei bem de perto quando eu estava fazendo MBA o nível de preocupação dos americanos e eles olhavam para o Brasil com inveja. Da mesma forma que a gente olha para eles hoje, eles olhavam pra gente assim, lá em 2008 e 2009. Não acontece sempre, a gente tem muito mais crises do que eles, mas de vez em quando acontece também. Então é interessante ter este portfólio lá e um aqui, até porque você tem essa oportunidade com essa alocação, de aproveitar momentos super bons para aumentar a alocação tanto aqui quanto lá fora.

Outro ponto importante é que está ficando muito fácil investir lá fora, antigamente era um negócio só para rico, só para multimilionário que podia ter um patrimônio lá fora porque era super caro manter e tinha que abrir uma empresa lá fora, uma offshore. Hoje em dia você tem outras opções que facilitam muito investir no exterior, inclusive ter conta lá fora e tudo mais, ficou muito mais acessível para a pessoa física, por isso que está aumentando bastante o patrimônio delas lá fora.

O Brasil sempre foi um país muito fechado, agora está mudando um pouquinho, ainda não mudou muito, até porque o mundo inteiro está se globalizando, então está tudo ficando mais fácil. Acho que faz todo sentido que a pessoa física tenha um pedaço do patrimônio lá fora em dólar, até para quem, como eu, adora viajar, é interessante ter um dinheiro em dólar para não ficar exposto a flutuações.

Quando e com qual objetivo nasceu a Nord Research?

Os quatro fundadores da Nord Research trabalhavam na Empiricus, a gente via que era um negócio muito bom, como negócio, só que a gente discordava de algumas coisas que eles faziam lá.  Por isso, montamos uma empresa para fazer melhor. A ideia da Nord é sempre pensar a longo prazo, sempre tentar ajudar o investidor, sempre respeitar o investidor,  o tempo dele, respeitar os objetivos. E focar em rentabilidade, em ter um portfólio que seja interessante, que agregue valor para a pessoa pensando a longo prazo, porque, afinal, se a gente pensar a longo prazo, nosso assinante também vai pensar e vai ficar com a gente por muito tempo.

Qual é o alcance da empresa?

Como investir é um negócio, por definição, de longo prazo, a gente montou uma empresa que combina com os produtos, tudo focado a longo prazo. Inclusive, a gente vem desenvolvendo novos produtos justamente pensando em ajudar mais o investidor, dar menos trabalho para ele conseguir investir de uma forma melhor ainda. Temos muitas novidades que vão acontecer nos próximos meses na empresa.

Qual a importância da tecnologia no processo de democratização dos investimentos? E como o pequeno investidor se beneficia disso?

A tecnologia ajuda demais e a gente tenta usar o máximo que a gente consegue. Ao mesmo tempo, o investidor gosta do contato pessoal, é até interessante que li um livro que chama “O homem que resolveu o mercado”, que é sobre o fundador do maior fundo quantitativo do mundo, um fundo quantitativo que dá 50% ao ano há muito tempo, virou uma máquina de imprimir dinheiro. Ele é super bom, faz diversas estratégias e o dono do fundo, quando deu a crise de 2008 nos Estados Unidos, ligou para o banqueiro dele, para o assessor de investimentos dele, digamos assim, para saber o que fazer com o dinheiro dele. O fundo estava indo mal nesse período, foi mal por um pequeno período que o mercado estava muito louco e depois voltou a dar muito dinheiro. O ponto é que,  mesmo a pessoa mais quantitativa do mundo, que foi o cara que fundou o melhor fundo quantitativo do mundo, quando vem a crise ele não confia no quantitativo, ele não confia só na tecnologia, ele precisou de um humano conversando com ele.

Investir é confiança no que você está fazendo a longo prazo, então, a  tecnologia ajuda sim, mas eu pessoalmente acho muito difícil que a tecnologia tire o ser humano da jogada.

A gente usa muito isso na Nord, a gente tenta dar isso para nossos assinantes, a gente acha isso importantíssimo, principalmente em momento de crise. O humano vai conseguir fazer muito mais com a tecnologia e já acontece hoje. Por exemplo: a gente tem um terminal Bloomberg e ele me dá informações na hora. Então, a tecnologia já está nos ajudando bastante, a gente conversa com nossos assinantes via Telegram, por exemplo, redes sociais e tudo mais. Isso dá um alcance muito maior, mas acho que o fator humano é indispensável, principalmente no momento de crise.

O que é o Método do Lucro Dinâmico e para quem é voltado?

O Método do Lucro Dinâmico é a estratégia de investimento que uso nos meus relatórios. Eu tenho dois: um chama Anti Trader, que é nosso relatório premium, e o outro chama Investidor de Valor, que é um relatório essencial. A diferença entre os dois é que o assinante tem mais acesso à gente nos Premiums, nos essenciais a gente tem outras formas de entrar em contato, via monitorias e via email . Basicamente a grande diferença entre os dois é essa proximidade, que nos permite fazer operações mais complexas porque a gente consegue explicar para cada um como funciona, consegue dar mais confiança, conversar, sanar as dúvidas, tudo isso muito mais rapidamente usando o Telegram. 

O método basicamente é a união de duas coisas: comprar uma empresa a um preço baixo e uma empresa que tenha resultados crescentes a longo prazo, que é uma boa empresa, como dizia Warren Buffett, o maior investidor de todos os tempos. Ele usava metade dessa estratégia, que era simplesmente comprar barato, mas o tempo é o inimigo da empresa ruim, porque se você compra barato, ela volta para o preço justo mas, se ela não cresce, a ação também não sobe. Então, unindo as duas coisas, comprando uma boa empresa, num preço baixo, você multiplica seu possível retorno se acertar. E é isso que a gente faz, a gente tenta comprar empresas que tenham crescimento bastante forte pensando a longo prazo e pagando o mínimo possível por esses resultados. Então, a gente compra as empresas que mais crescem com os menores preços do mercado. Quando falo preço, quero dizer o quanto você paga por esses resultados, normalmente a gente usa múltiplos como, por exemplo, EV/Ebitda ou preço lucro, o quanto você paga por esses lucros, o quanto você paga pelo Ebitda, o quanto você paga pela receita, é basicamente isso.

Como se tornar um investidor de valor e fazer fortuna no mercado de ações?

Fazer fortuna no mercado de ações é um negócio super fácil, inclusive ficou famoso um papo do Jeff Bezos, dono da Amazon, com Warren Buffett que o Bezos falou para ele: “cara, mas essa estratégia sua de investimento é super fácil, porque todo mundo não faz isso, não te copia e fica multimilionário como você é?”. E o Buffett disse: “porque ninguém quer ficar rico devagar”. 

Esse é o grande  problema. Ganhar muito dinheiro na bolsa de valores é um negócio muito fácil, só comprar boas empresas e pensar a longo prazo, só que as pessoas não conseguem pensar a longo prazo porque o psicológico delas atrapalha. O que as pessoas fazem é comprar bolsa quando ela está subindo e vender quando ela cai e é exatamente o contrário que deveriam fazer. Em vez de comprar caro e vender barato, deveriam comprar barato e vender caro, só que o psicológico das pessoas não deixam elas fazerem isso porque as pessoas não confiam nas posições que elas têm, por isso que o contato pessoal e o psicológico e a confiança nos investimento é o mais importante. 

Encontrar boas empresas a bons preços é super fácil, nem precisa ser a pessoa mais inteligente do mundo, inclusive Warren Buffett e Charles Munger  falam exatamente isso: talvez ter mais QI no mercado financeiro faça mal porque você vai tentar fazer coisas mais arriscadas enquanto talvez só fazer o óbvio é muito mais fácil e rentável pensando a longo prazo. 

Fazendo o fácil, comprando boas empresas a bons preços, você consegue ganhar bastante dinheiro a longo prazo e as rentabilidades dos meus produtos são muito boas. O Investidor de Valor foi fundado em julho de 2015 e tem rentabilidade de mais ou menos 30% ao ano e o Anti Trader foi fundado em junho de 2019 e tem rentabilidade de 238% em pouco mais de dois meses. São rentabilidades excepcionais e não é fazendo o super difícil, é justamente o contrário, é fazendo o fácil, é procurando boas empresas, comprando boas ações quando elas caem, pensando a longo prazo, aproveitando a crise para alocar em empresas que talvez tenham caído demais porque talvez o mercado tenha panicado.  

Todo mundo quer ficar rico rápido e nessa tentativa você acaba perdendo, entregando seu dinheiro para o mercado e a gente ganha muito desse dinheiro. Se a gente ganha muito dinheiro, alguém está perdendo. Essas pessoas que estão tentando ganhar dinheiro a curto prazo estão dando para gente o dinheiro suado delas, estão entregando isso de mão beijada para gente, para todos que ganham dinheiro a longo prazo no mercado.

 

*Esse conteúdo é apenas para informação e não deve ser entendido como uma oferta ou recomendação de investimentos. Performance passada não garante resultados futuros. As opiniões expressadas nesse artigo são do entrevistado e não representam necessariamente a opinião da Stake.


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