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Alison Correia: “O mercado não é fácil, óbvio que não, mas ele é muito simples”

Conversamos com Alison Correia, trader, analista CNPI e fundador da Top Gain, a primeira e única TV do mercado financeiro. Confira o bate-papo exclusivo.

A vida de Alison Correia  dá um livro. De fato, ele já escreveu. Em “O sobe e desce da bolsa e da vida”  ele conta como saiu da periferia do Peru e realizou o sonho de se tornar operador da Bolsa de Valores, em São Paulo.

 

Há um ano, o especialista em day trade fundou a Top Gain, a primeira e única TV do mercado financeiro, com o objetivo de democratizar o universo dos investimentos. Confira abaixo o bate-papo exclusivo de Alison Correia com a Stake.

 

Você conta no seu livro que, desde muito jovem, já sabia que queria atuar no mercado financeiro. Como nasceu esse desejo e como foi sua trajetória até realizá-lo?

O meu pai, economista, formado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, peruano, veio para o Brasil somente para se formar e voltou para o Peru para tentar levar adiante o que aprendeu. Só que ele acabou sendo empurrado para o empreendedorismo, porque meu avô era muito empreendedor, mas ele sempre comentava sobre a vivência que teve no mercado. Ele conheceu muitas pessoas do mercado financeiro naquela época, pessoas que trabalhavam com números, e aquelas histórias ficaram no meu subconsciente. Eu sempre falava: “nossa, deve ser muito legal trabalhar na área que meu pai se formou”, por mais que ele não tenha atuado nessa área de fato. Então isso já ficou muito na minha cabeça, e eu falava que quando crescesse eu gostaria de trabalhar com números.

 

Acabei trabalhando com ele também, nas empresas dele, mas sempre tomando conta das negociações. Quando eu cheguei ao Brasil, com 10 anos de idade, a gente tentou empreender de várias maneiras, passamos por muitas dificuldades aqui no país e, com 17 anos, procurando trabalho no centro de São Paulo, eu consegui entrar na bolsa da valores, meu primeiro trabalho no mercado, como auxiliar.

 

No meu subconsciente, eu sempre quis trabalhar com isso. Quando iniciei a faculdade, com 16 anos, eu procurava bancos e acabei entrando no pregão, antiga BM&F. Na época não tinha a B3 ainda, nem a BM&FBovespa. Eram duas bolsas: a Bovespa e a BM&FBovespa. A BM&F era a bolsa de mercadorias e futuros, foi lá que acabei entrando, sempre operando futuros. E foi assim que começou minha trajetória no mercado financeiro.

 

Claro que até chegar num ponto de virada de chave passei por auxiliar, backoffice de mesa, auxiliar de mesa, auxiliar de pregão viva voz, operador de pregão viva voz, até eu ganhar reconhecimento. A minha corretora era muito pequena, costumo falar que eu tive uma grande vantagem nisso, porque se fosse uma corretora muito grande talvez hoje eu fosse um executivo de banco. Ter entrado numa corretora pequena, onde basicamente a corretora sobrevivia de fazer operações para tesouraria, me forçou a aprender a fazer day trade. Aprendi muito com um grande mentor, o dono da corretora, que era um italiano que foi dealer do Banco Central. Assim, acabei me sobressaindo, operando, crescendo, evoluindo, errando, apanhando, batendo e, com 18 anos, eu conquistei meu primeiro crachá de operador, o mais novo da minha época. Nos anos seguintes,  já estava voando, operando muito, operando para tesouraria. Já era um trader e, por mais que fosse muito novo de idade, eu já tinha minha marca registrada no pregão, na gritaria. Cheguei a trabalhar no meio de aproximadamente 2 mil pessoas no floor e, com isso, me destaquei e mudei a minha trajetória financeira e a de toda a minha família.

 

Quais os maiores desafios que já enfrentou no mercado financeiro durante sua carreira e o que aprendeu com eles?

O maior desafio de qualquer tipo de profissional é a pressa e a ganância, a gente sempre está em busca de pular atalhos para que a gente consiga resultados financeiros expressivos e, quando a gente fala de mercados futuros, que é o que me especializei, são mercados muito alavancados, que fazem ganhar muito dinheiro, mas fazem perder muito, tudo, até muito mais do que você tem. Então, acho que um dos maiores desafios que tive foi aprender a controlar essa ansiedade e essa pressa em virar a chave de uma hora para a outra.

 

Acho que aprender a aceitar também foi um grande aprendizado. Costumo falar que o defeito de todo trader é aceitar ganhar pouco. Então, eu tive que aprender a ganhar pouco, porque a gente sempre buscava o muito, e aprender a dar valor ao pouco é importante. Ganhar pouco, ganhar sempre, mas nunca perder muito, essa foi uma das maiores lições que aprendi e que carrego do mercado financeiro.

 

Como foi vivenciar a migração da bolsa para o novo sistema eletrônico?

A migração para o sistema eletrônico foi muito difícil, eu me adaptei, mas demorei muito para me adaptar, fiquei muito revoltado também porque achava que eu, por ser da geração Y, teria mais facilidade do que meus amigos, colegas, todo mundo que era muito mais antigo do que eu, pessoas muito mais velhas, 30, 40 anos de pregão. Como eu era muito mais novo, eu falava que para mim não ia mudar nada, achei que seria mais fácil para mim e não foi.

 

No pregão viva voz, na gritaria, a gente ganhava muito dinheiro, a gente movimentava preço, fazia barulho, fazia pressão, tinha respeito, impunha respeito. No eletrônico era você, aquele silêncio, um monte de números pulando de um lado para o outro e surgiram os tais algoritmos, os robôs operacionais que até então eu desconhecia. Eu apanhei demais para entender como eles se moviam, quais eram as estratégias que eles tinham no mercado e eu acabava perdendo muito dinheiro. Perdi muito dinheiro quando aconteceu a migração do pregão para o mercado eletrônico porque eu acreditava que era somente para se alavancar, operar de uma forma muito mais agressiva para o mercado ir a meu favor e não era. Fui aprendendo na marra, tive que dar 10 passos para trás para depois dar 3 para frente. Foi um processo muito difícil.

 

Na sua visão, o que o avanço tecnológico trouxe de positivo ao mercado?

Eu costumo falar que eu sou saudosista porque fui do pregão viva voz, mas era uma mudança tecnológica inevitável, por dois motivos: pela agilidade e pela transparência. Na época, eu lembro que, para você conseguir realizar um negócio, na gritaria, se você quisesse comprar um ativo, até você conseguir achar um vendedor naquela gritaria e até ele aceitar te vender no preço que você queria pagar demorava, em média, 10 a 15 segundos para fechar o negócio. Quando migrou para o eletrônico passou para milésimos de segundos, então, em milésimos de segundos, a gente consegue concluir um negócio. Foi uma transição inevitável, e tem também o lance da transparência, porque fica tudo registrado de uma maneira mais clara para a mesa, para as corretoras e para os órgãos reguladores.

 

Como e quando surgiu a ideia da Top Gain, a primeira e única TV do mercado financeiro? E qual a importância do canal para quem quer investir?

Eu carrego comigo o lance do pregão viva voz, a alegria do pregão viva voz. Eu gosto muito de pessoas, gosto muito de gritaria, de brincadeiras, e eu sempre achei a forma em que o mercado financeiro era transmitido muito chato. O pessoal que trabalhava na mesa não tinha nada a ver com aquilo que era transmitido, muitas vezes, pela mídia. A história do terno e gravata.  Isso, às vezes, acaba inibindo pessoas novas que têm interesse no mercado e acreditam que aquilo é pra quem ou é muito inteligente ou é muito rico, o que não é verdade, então sempre fiquei muito incomodado com isso.

 

Fui sócio da XP e ajudei a estruturar a parte de renda variável da corretora. Na época, tive contato com milhares de pessoas do varejo, que sempre foi a minha praia, e consegui perceber exatamente isso, que as pessoas se sentiam muito distantes do mercado. E aí eu pensava sempre assim: “poxa, a gente precisa democratizar e mostrar para essas pessoas, de uma forma transparente, claro, que o mercado não é fácil, óbvio que não, mas ele é muito simples”. A gente precisava passar essa simplicidade por meio do ensino, do educacional. Eu tentei fazer isso lá na corretora, mas, em 2019 eu saí da XP e carreguei esse sonho comigo. Foi quando estruturei a Top Gain.

 

A Top Gain é a primeira TV do mercado financeiro. Hoje somos aproximadamente 50 colaboradores. Eu trouxe inúmeros profissionais do mercado que têm habilidades e leituras, técnicas que eu não tenho. Tem pessoas que analisam gráficos, outras que analisam ações, opções, análise fundamentalista, criptomoedas, mercados internacionais, enfim, a gente tem de tudo aqui, coisa que eu sozinho não conseguiria fazer, porque minha praia sempre foi o trade e eu preciso focar no que eu sou bom.

 

A Top Gain tem três vertentes: a primeira é o entretenimento, porque o mercado financeiro é tão chato que a gente precisa deixar ele legal e isso tem que acontecer por meio das pessoas que transmitem os conteúdos, os apresentadores. Tem que ser legal, bacana, leve, este é o primeiro ponto. O segundo é o educacional. A gente tem que ensinar as pessoas, proteger as pessoas no mercado financeiro. E a terceira vertente refere-se às recomendações, porque nós somos analistas certificados pela CVM, então a gente pode dar call.

 

Essas três vertentes fazem com que a Top Gain seja a maior plataforma independente do mercado financeiro. Nós completamos 1 ano agora e já somos o maior meio de transmissão do mercado. Acho que as pessoas se identificam com nosso jeito de transmitir e com esse modelo televisivo que a gente trouxe para o Brasil e que até então era inédito. Hoje passam aproximadamente 30, 40 mil pessoas por dia e a importância do nosso portal está exatamente no cuidado que a gente tem com as pessoas, na transparência, na leveza. Por isso, é muito importante que as pessoas comecem do jeito certo. A gente tem portais gratuitos dentro da Top Gain, no próprio YouTube, onde temos, por exemplo, salas de formação de investidores, para que a pessoa dê seu primeiro passo do jeito correto, aprendendo e não apertando botão.

 

Como funciona seu programa de imersão? Quantas edições já aconteceram e quais os resultados?

Então, você vai, claro que aprimorando a cada mês, a cada ano investido, mas no final das contas é um processo de repetição.Acho que já tivemos umas 10 edições, mas não sei ao certo. São pessoas que vêm do Brasil inteiro. A gente se encontra num espaço físico e opera durante uma semana, mostrando para as pessoas, na prática, ao lado delas, que é possível ganhar dinheiro, se proteger, aprender, fazer networking. É um evento muito legal, é o evento que mais gosto de fazer.

 

Os resultados são muito bons porque é um treinamento específico e voltado para a dor que a pessoa tem. A gente ajusta os parafusos que faltam para que a pessoa consiga ter resultados consistentes e, depois, a gente não desaparece da terra igual acontece em muitas imersões ou treinamento. A gente pega na mão da pessoa e continua com ela ad aeternum, acho que isso é um diferencial.

 

Você também investe no exterior? Considera importante este tipo de diversificação?

Sim, invisto no exterior e acho extremamente importante. A gente sempre tem que dolarizar parte da nossa carteira. Sempre! Porque dólar é dólar,  independente da dor, do incômodo, da situação, é a moeda mais potente do mundo.

 

E aí nós temos inúmeras formas de conseguir dolarizar os investimentos, seja no mercado futuro, fazendo posição, seja através de BDR, através de uma corretora no exterior onde você possa comprar ações lá de fora. A própria BDR te facilita isso, já que você consegue ganhar dinheiro se, claro, as ações que você se posicionou sobem e, ao mesmo tempo, ganhar, caso a valorização do dólar também aconteça. Então eu sou sempre muito a favor de  dolarizar nossos investimentos ou parte dele. Seja dólar físico, seja num fundo multimercado atrelado ao câmbio. Acho que isso é sempre extremamente importante e ajuda muito para que nossa carteira no longo prazo não seja tão machucada em turbulências.

 

Quais dicas você daria para quem, assim como você, quer se tornar um investidor de sucesso?

Acho que o primeiro ponto é saber nichar. O mercado financeiro oferece inúmeras oportunidades para que você se torne um profissional ou para que você consiga investir, mas nem todas essas oportunidades são para o seu perfil. Hoje, por exemplo, minha especialidade é o day trade, eu sou especialista em dólar, e costumo falar que o day trade não é para todo mundo, mas o mercado financeiro é, porque todo mundo tem conta em banco, então, todo mundo tem que estar antenado no mercado financeiro. É extremamente importante que todas as pessoas entendam isso.

 

Eu dedico muito do meu sucesso à minha especialização porque eu sou muito bom em poucas coisas. As pessoas quando entram no mercado financeiro estão tão bombardeadas com tantas informações que elas acabam pulando de galho em galho, sabendo um pouquinho de tudo, mas não sendo bons em nada. Acho que o foco em se tornar um especialista no mercado faz toda diferença, porque você vira referência e você fica muito bom, você tem feeling em cima daquilo que você está negociando. Acho que isso é um grande diferencial.

 

A gente escuta muito falar sobre diversificação, “coloque mil ovos em mil cestas”, mas se você vai ganhar um pouquinho em cada coisa, e nunca vai ser especialista a ponto de se alavancar e mudar de patamar num determinado segmento, pode não ser tão interessante. Somente quando você se tornar um especialista, um cara focado naquilo, você vai se tornar muito bom. Não importa onde seja, pode ser análise fundamentalisa, análise técnica, fluxo, day trade, swing trade, position trade, opções, operações estruturadas, não importa.  Com alguma coisa você tem que se identificar para que você consiga se tornar um investidor de sucesso e dominar uma área e isso é totalmente possível.

 

*Esse conteúdo é apenas para informação e não deve ser entendido como uma oferta ou recomendação de investimentos. Performance passada não garante resultados futuros. As opiniões expressadas nesse artigo são do entrevistado e não representam necessariamente a opinião da Stake.


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